USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Mulher, 24 anos de idade, queixa-se de irregularidade menstrual (ciclos com intervalo de 40 dias e duração de 3 dias), aumento de pelos faciais e acne persistente na face e no tronco há cerca de três anos. Refere dificuldade para perder peso. Ao exame clínico, apresentou bom estado geral, corada, hidratada, anictérica, acianótica e afebril; peso de 78 kg, altura 1,65 m e IMC de 27,5 kg/m²; PA de 120x80 mmHg; exame ginecológico com trofismo genital preservado, sem alterações. O exame da pele da face é apresentado na imagem a seguir:Exames laboratoriais:Glicose: 88 mg/dLHemoglobina glicada: 5,2%Insulina: 12 mU/LCálculo do HOMA-IR: 2,6TSH: 1,2 mUI/LTestosterona livre: 34 pmol/LEstradiol na fase folicular: 8,3 ng/dLLH na fase folicular: 16,9 U/LFSH na fase folicular: 2,8 UI/LProlactina: 33 μg/LConsiderando a principal hipótese diagnóstica, qual é a imagem ultrassonográfica ovariana correspondente ao caso descrito?
SOP = irregularidade menstrual + hiperandrogenismo clínico/laboratorial + ovários policísticos USG.
O caso clínico descreve uma paciente com irregularidade menstrual (oligomenorreia), sinais de hiperandrogenismo (hirsutismo, acne) e exames laboratoriais compatíveis (LH/FSH elevado, testosterona livre elevada), que são critérios diagnósticos para Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), necessitando de ultrassonografia com morfologia ovariana típica.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia complexa e heterogênea, sendo a causa mais comum de anovulação crônica e hiperandrogenismo em mulheres em idade reprodutiva. Sua prevalência varia entre 5% e 10% e é uma condição de grande importância clínica devido às suas implicações reprodutivas, metabólicas e psicossociais. O diagnóstico da SOP é feito pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação (manifestada por irregularidade menstrual), hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia androgenética) ou laboratorial (aumento de androgênios séricos), e ovários com morfologia policística na ultrassonografia. É crucial excluir outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual. O manejo da SOP é individualizado e visa tratar os sintomas predominantes e prevenir complicações a longo prazo. Inclui mudanças no estilo de vida (dieta e exercícios para controle do peso e resistência à insulina), contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, antiandrogênios para hirsutismo e acne, e indutores de ovulação para infertilidade. A resistência à insulina é uma característica comum e pode ser abordada com sensibilizadores de insulina como a metformina.
Os critérios de Rotterdam para SOP incluem dois dos três seguintes: oligo ou anovulação (irregularidade menstrual), hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) ou laboratorial (testosterona elevada), e ovários policísticos na ultrassonografia.
Uma relação LH/FSH > 2 ou 3:1 é um achado comum na SOP, refletindo a disfunção hipotalâmico-hipofisária que leva ao aumento da produção de androgênios ovarianos.
A ultrassonografia transvaginal mostra ovários com 12 ou mais folículos medindo 2-9 mm de diâmetro e/ou volume ovariano >10 mL, sendo um dos critérios de Rotterdam, mas não deve ser o único critério para diagnóstico.
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