SOP: Critérios de Rotterdam e Diagnóstico Preciso

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 25 anos, procura atendimento queixando-se de irregularidade menstrual com intervalos intermenstruais entre 45 e 60 dias. Está tentando engravidar há 1 ano sem sucesso. DUM há 50 dias. Traz beta-hCG negativo. Ao exame físico não se identificaram sinais de hirsutismo ou acne, IMC 33. Você solicitou uma ultrassonografia transvaginal que revelou útero de tamanho normal, endométrio medindo 10 mm e ovários com volume aumentado e com mais de 20 folículos cada. Com relação ao caso clínico, assinale a alternativa incorreta.

Alternativas

  1. A) A paciente possui dois critérios de Rotterdam.
  2. B) Mudanças de estilo de vida, incluindo mudanças comportamentais (redução de estressores psicossociais), dieta e atividade física são a primeira linha de tratamento da Síndrome de Ovários Policísticos.
  3. C) Em pacientes anovulatórias crônicas com Síndrome de Ovários Policísticos, níveis de estrogênio persistentemente elevados sem contraposição da progesterona aumentam o risco de carcinoma endometrial.
  4. D) A paciente não possui sinais de hiperandrogenismo e, portanto, não fecha os três critérios de Rotterdam necessários para diagnóstico da Síndrome de Ovários Policísticos.
  5. E) Como a obesidade, particularmente abdominal, está comumente associada à síndrome, recomenda-se que seja realizado cálculo do IMC e medição da circunferência abdominal em pacientes com Síndrome de Ovários Policísticos.

Pérola Clínica

SOP: Diagnóstico requer 2 de 3 critérios de Rotterdam (oligomenorreia/anovulação, hiperandrogenismo, ovários policísticos USG).

Resumo-Chave

O diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) baseia-se nos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três critérios principais. A ausência de hiperandrogenismo clínico não exclui o diagnóstico se os outros dois critérios estiverem presentes, como no caso da paciente.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. É uma das principais causas de infertilidade anovulatória e irregularidade menstrual. O diagnóstico é feito pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de dois dos três seguintes: oligo/anovulação, hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e ovários policísticos à ultrassonografia. É fundamental entender que nem todos os critérios precisam estar presentes para o diagnóstico. A fisiopatologia da SOP envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais, com destaque para a resistência à insulina, que leva à hiperinsulinemia compensatória. Esta, por sua vez, estimula a produção ovariana de androgênios e diminui a síntese hepática de globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), elevando os níveis de testosterona livre. A obesidade agrava a resistência à insulina e os sintomas da SOP. O manejo inicial foca em mudanças de estilo de vida (dieta, exercício) para perda de peso, que pode restaurar a ovulação e melhorar a sensibilidade à insulina. Além dos sintomas reprodutivos e metabólicos, a SOP aumenta o risco de complicações a longo prazo, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e, devido à exposição estrogênica sem oposição progestacional, carcinoma endometrial. Portanto, o acompanhamento e tratamento adequados são cruciais. Para residentes, a compreensão dos critérios diagnósticos, da fisiopatologia e das opções terapêuticas é essencial para o manejo clínico e para o sucesso em exames.

Perguntas Frequentes

Quais são os três critérios de Rotterdam para o diagnóstico da SOP?

Os três critérios de Rotterdam são: oligomenorreia ou anovulação crônica, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou laboratorial (testosterona elevada), e ovários policísticos à ultrassonografia (≥20 folículos por ovário ou volume ovariano >10 mL).

Por que a obesidade é um fator importante na SOP?

A obesidade, especialmente a abdominal, está fortemente associada à SOP e à resistência à insulina, agravando os sintomas e aumentando o risco de comorbidades como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Mudanças no estilo de vida são a primeira linha de tratamento.

Qual o risco de carcinoma endometrial em pacientes com SOP?

Em pacientes com SOP e anovulação crônica, a exposição prolongada do endométrio a níveis elevados de estrogênio sem a contraposição da progesterona aumenta o risco de hiperplasia endometrial e, consequentemente, de carcinoma endometrial.

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