UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2022
Maria Clara, 15 anos, teve sua menarca há 3 anos. Desde então, vem apresentando irregularidade menstrual, com ciclos com espaço de até seis meses. Ao exame físico, presença de acne e hirsutismo facial, M5P4, altura de 153 cm (z -1/-2) e IMC: 29,90 kg/m² (z +2/ +3). Baseado no relato acima, deverão ser solicitados:
Adolescente + irregularidade menstrual + hiperandrogenismo clínico (acne/hirsutismo) + obesidade → Investigar SOP (USG pélvica, DHEA, testosterona).
Uma adolescente com irregularidade menstrual, sinais de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo) e obesidade tem um quadro clínico sugestivo de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). A investigação deve incluir ultrassonografia pélvica para avaliar morfologia ovariana e dosagem de androgênios (DHEA, testosterona) para confirmar o hiperandrogenismo.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, incluindo adolescentes. Caracteriza-se por uma combinação de irregularidade menstrual (oligo/amenorreia), hiperandrogenismo (clínico como hirsutismo e acne, ou laboratorial com androgênios elevados) e, frequentemente, morfologia ovariana policística à ultrassonografia. A obesidade e a resistência à insulina são comorbidades comuns e agravam os sintomas. Em adolescentes, o diagnóstico de SOP pode ser desafiador, pois a irregularidade menstrual e a acne são comuns na puberdade normal. No entanto, a presença de irregularidade menstrual persistente (ciclos com mais de 45 dias ou amenorreia por mais de 90 dias após 2 anos da menarca), associada a sinais claros de hiperandrogenismo (hirsutismo facial, acne grave e refratária) e obesidade, como no caso de Maria Clara, levanta forte suspeita de SOP. A investigação diagnóstica deve incluir a exclusão de outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual (como hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana, hiperplasia adrenal congênita não clássica, tumores produtores de androgênios). A dosagem de androgênios (testosterona total e livre, DHEA-S) é essencial para confirmar o hiperandrogenismo. A ultrassonografia pélvica é útil para avaliar a morfologia ovariana e excluir outras patologias, mas a presença de ovários policísticos isoladamente não é suficiente para o diagnóstico em adolescentes. O tratamento visa o controle dos sintomas e a prevenção de complicações a longo prazo.
Em adolescentes, o diagnóstico de SOP é desafiador. Geralmente, requer a presença de irregularidade menstrual persistente (após 2 anos da menarca) e hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne grave) ou laboratorial (testosterona elevada), após exclusão de outras causas. O critério de ovários policísticos na USG é menos específico em adolescentes.
A dosagem de DHEA (sulfato de deidroepiandrosterona) e testosterona total e livre é fundamental para confirmar o hiperandrogenismo, um dos pilares diagnósticos da SOP. Níveis elevados de DHEA podem sugerir origem adrenal, enquanto testosterona elevada é mais comum na origem ovariana.
A ultrassonografia pélvica pode mostrar ovários com múltiplos folículos (morfologia policística), mas este achado é comum em adolescentes sem SOP. Portanto, não é um critério diagnóstico isolado em adolescentes e deve ser interpretado com cautela, sendo mais útil para excluir outras patologias.
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