SOP: Critérios Diagnósticos e Manejo da Infertilidade

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019

Enunciado

Paciente de 27 anos, G0P0, refere desejo de engravidar. Apresenta oligo menorragia desde os 10 anos, quando teve menarca. Tem menstruações a cada 50 dias, aproximadamente, com fluxo menstrual bastante intenso. Seu IMC é 33, e o Índice de Ferriman-Gallway é 12. A respeito do caso, assinale a opção incorreta.

Alternativas

  1. A) É importante realizar a dosagem de TSH, FSH, LH, 17-OH-progesterona, testosterona total, sulfato de DHEA e SHBG. 
  2. B) Para diagnóstico de SOMP, é obrigatória a realização de ultrassonografia transvaginal que evidencie mais de 12 folículos menores que 9mm em cada ovário ou volume ovariano maior ou igual a 10 cm³. 
  3. C) Trata-se de um provável caso de anovulação crônica, sendo que, se o teste da profesterona for positivo, os níveis de estrogênio serão normais ou elevados.
  4. D) A investigação da infertilidade deve se iniciar sempre com a realização do espermograma, mesmo em casos de manifestações endócrinas femininas. 
  5. E) A primeira linha terapêutica para pacientes com SOMP que desejam engravidar é o letrozol, e para as que não querem são os anticoncepcionais combinados com progesteronas antiandrogênicas. 

Pérola Clínica

Diagnóstico SOP: 2 de 3 critérios de Rotterdam (oligo/anovulação, hiperandrogenismo, ovários policísticos USG). USG NÃO é obrigatória.

Resumo-Chave

O diagnóstico de SOP baseia-se nos Critérios de Rotterdam (2 de 3: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico/laboratorial, ovários policísticos à ultrassonografia). A ultrassonografia não é obrigatória se os outros dois critérios estiverem presentes, especialmente em adolescentes.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. O diagnóstico é feito pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação, hiperandrogenismo (clínico, como hirsutismo, ou laboratorial) e ovários policísticos à ultrassonografia. É crucial ressaltar que a ultrassonografia não é um critério obrigatório se os outros dois estiverem presentes. A investigação laboratorial é essencial para excluir outras causas de hiperandrogenismo e disfunção menstrual, incluindo dosagens de TSH, FSH, LH, 17-OH-progesterona, testosterona total, sulfato de DHEA e SHBG. A anovulação crônica é uma característica central da SOP, e o teste da progesterona pode indicar níveis normais ou elevados de estrogênio se for positivo. Para pacientes com SOP que desejam engravidar, a primeira linha terapêutica para indução da ovulação é o letrozol, que tem demonstrado superioridade ao citrato de clomifeno em algumas populações. Para aquelas que não desejam engravidar, os anticoncepcionais orais combinados, especialmente aqueles com progesteronas antiandrogênicas, são a base do tratamento para regular o ciclo e controlar o hiperandrogenismo. A investigação da infertilidade deve ser completa, incluindo espermograma, mas não se inicia *sempre* com ele, especialmente em casos com manifestações endócrinas femininas evidentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os Critérios de Rotterdam para o diagnóstico de SOP?

Os Critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação, sinais clínicos ou laboratoriais de hiperandrogenismo e ovários policísticos à ultrassonografia.

Quais exames hormonais são indicados na investigação de SOP?

É importante dosar TSH, FSH, LH, 17-OH-progesterona, testosterona total, sulfato de DHEA e SHBG para excluir outras causas de anovulação e hiperandrogenismo.

Qual a primeira linha de tratamento para infertilidade em pacientes com SOP?

Para pacientes com SOP que desejam engravidar, a primeira linha terapêutica para indução da ovulação é o citrato de clomifeno ou, mais recentemente, o letrozol, que tem mostrado melhores taxas de ovulação e gravidez.

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