SOP: Diagnóstico e Critérios de Rotterdam para Residentes

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022

Enunciado

No ambulatório de infertilidade, a paciente J.K., de 32 anos, e seu marido F.L., de 34, vêm para atendimento. J.K. suspendeu o uso do contraceptivo combinado hormonal oral há 3 anos e, desde então, apresenta queixa de ciclos irregulares que chegam a atrasar 4 meses. Nega queixa de acne ou hirsutismo. Traz consigo alguns exames realizados em investigação na UBS: Histerossalpingografia - boa passagem de contraste e boa difusão em cavidade pélvica. Espermograma - 56 milhões por ml e 43% móveis. Ultrassom transvaginal com contagem de 23 folículos antrais em ovário direito e 15 em ovário esquerdo.Sobre o diagnóstico mais provável desse casal, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Não dispomos de informação suficiente para identificar a principal causa, e exames como FSH, estradiol, LH e progesterona são essenciais para esse diagnóstico. 
  2. B) O diagnóstico só poderá ser confirmado após análise de exame testosterona total, testosterona livre e S-Dhea.
  3. C) Caso a paciente apresentasse um quadro de acne grave ou hirsutismo, a ecografia seria desnecessária e não haveria prejuízo no diagnóstico. 
  4. D) Confirmado o diagnóstico provável, a orientação é de tranquilizar a paciente e informar que infelizmente essa é uma condição irreversível. 
  5. E) Em caso de dor incapacitante ao menstruar, o diagnóstico está confirmado. 

Pérola Clínica

SOP: 2/3 critérios de Rotterdam (oligo/anovulação, hiperandrogenismo, ovários policísticos USG).

Resumo-Chave

A paciente apresenta oligoanovulação (ciclos irregulares) e ovários com morfologia policística ao ultrassom (contagem de folículos antrais >20 em um ovário ou volume ovariano >10ml). Pelo critério de Rotterdam, dois desses três achados já confirmam o diagnóstico de SOP, mesmo na ausência de hiperandrogenismo clínico ou laboratorial.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, com prevalência estimada entre 5% e 10%. É uma das principais causas de infertilidade anovulatória e está associada a diversas comorbidades metabólicas e cardiovasculares. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para melhorar a qualidade de vida e os desfechos reprodutivos das pacientes. O diagnóstico da SOP é baseado nos Critérios de Rotterdam (2003), que requerem a presença de pelo menos dois dos três achados: oligoanovulação ou anovulação crônica (ciclos menstruais irregulares ou ausência de menstruação), hiperandrogenismo (clínico, como hirsutismo e acne, ou laboratorial, com níveis elevados de androgênios), e ovários com morfologia policística ao ultrassom (≥ 20 folículos antrais em um ovário ou volume ovariano ≥ 10 mL). É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual antes de firmar o diagnóstico. O tratamento da SOP é individualizado e visa aliviar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo. Inclui modificações no estilo de vida (dieta e exercícios), contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, antiandrogênios, sensibilizadores de insulina como a metformina, e indutores de ovulação para pacientes que desejam engravidar. O prognóstico é favorável com manejo adequado, mas a condição requer acompanhamento contínuo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Rotterdam para o diagnóstico de SOP?

Os critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos seguintes: oligoanovulação ou anovulação crônica, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários com morfologia policística ao ultrassom.

A ultrassonografia é sempre necessária para o diagnóstico de SOP?

Não, se a paciente apresentar oligoanovulação e hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, o diagnóstico de SOP pode ser estabelecido sem a necessidade da ultrassonografia.

Como a contagem de folículos antrais se relaciona com o diagnóstico de SOP?

Uma contagem de folículos antrais (CFA) ≥ 20 em pelo menos um ovário ou um volume ovariano ≥ 10 mL ao ultrassom transvaginal é um dos critérios para ovários com morfologia policística.

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