SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2019
Mulher, 27 anos, refere aumento de oleosidade e acne, além de ciclos menstruais alternando com episódios de amenorréia. Apresenta dislipidemia, glicemia jejum normal e obesidade. Em uso de anticoncepcional oral combinado há 3 meses. Qual a melhor conduta para essa paciente?
SOP: primeira linha de tratamento para obesidade e resistência à insulina é mudança de estilo de vida.
A paciente apresenta um quadro clínico clássico de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), caracterizado por hiperandrogenismo (acne, oleosidade), disfunção ovulatória (amenorreia, ciclos irregulares) e achados metabólicos (obesidade, dislipidemia). A pedra angular do tratamento, especialmente em pacientes obesas, é a modificação do estilo de vida com perda de peso e exercícios físicos.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizado por uma combinação de hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística. As manifestações clínicas incluem irregularidades menstruais (oligo/amenorreia), hirsutismo, acne, alopecia androgênica e infertilidade. Além disso, a SOP está frequentemente associada a distúrbios metabólicos como obesidade, resistência à insulina, dislipidemia e aumento do risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. O tratamento da SOP é multifacetado e deve ser individualizado, visando aliviar os sintomas e reduzir os riscos a longo prazo. Para pacientes obesas ou com sobrepeso, a modificação do estilo de vida, incluindo dieta hipocalórica e aumento da atividade física, é a pedra angular do tratamento. A perda de peso, mesmo que modesta (5-10% do peso corporal), pode melhorar significativamente a resistência à insulina, reduzir os níveis de androgênios, restaurar a ovulação e regularizar os ciclos menstruais. Embora anticoncepcionais orais combinados sejam úteis para tratar o hiperandrogenismo e as irregularidades menstruais, eles não abordam a resistência à insulina ou a obesidade subjacente. Portanto, para residentes, é crucial priorizar as intervenções no estilo de vida como primeira linha de tratamento, complementando com terapias farmacológicas conforme a necessidade e os objetivos da paciente.
Os critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia (após exclusão de outras causas).
A perda de peso melhora a resistência à insulina, reduz os níveis de androgênios, melhora a função ovulatória, regulariza os ciclos menstruais e diminui os riscos metabólicos e cardiovasculares associados à SOP.
O anticoncepcional oral combinado é indicado para o tratamento do hiperandrogenismo (acne, hirsutismo) e para regularizar os ciclos menstruais, protegendo o endométrio da hiperplasia. No entanto, não aborda a resistência à insulina ou a obesidade.
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