SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2015
A falta de menstruação é um sintoma comum que pode atingir até 5% das mulheres. A amenorreia é apenas um sintoma de várias entidades clínicas possíveis. Sendo assim, analise o caso clínico abaixo: Paciente de 22 anos, universitária marcou consulta devido à irregularidade menstrual e traz consigo alguns exames laboratoriais. Refere ciclos menstruais "espaçados", com períodos de ausência de menstruação por até 4 meses. Relata menarca aos 13 anos e nega coitarca. Queixa-se de excesso de pelos nos membros e tórax e acne na face. Ao exame: IMC: 30,5 kg/m², oleosidade excessiva na pele, escore de Ferrimam-Gallwey modificado de 6, acne grau I. TSH T4 livre, prolactina, testoterona total e livre, androstenediona, 17-OH-progesterona, DHEA e SDHEA são normais. Glicemia de jejum de 103 mg/dl. Qual é a opção terapêutica inicial mais indicada para o caso?
SOP: Obesidade + hiperandrogenismo + oligomenorreia → 1ª linha = mudança estilo de vida e perda de peso.
A paciente apresenta critérios para Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), com oligomenorreia, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, oleosidade) e obesidade. Embora os androgênios séricos estejam normais, o diagnóstico de SOP é clínico e laboratorial. A resistência à insulina, sugerida pela glicemia de jejum limítrofe, é comum na SOP e a perda de peso é a medida inicial mais eficaz para melhorar os sintomas e a fertilidade.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. Sua prevalência varia entre 5% e 10%, sendo uma das principais causas de infertilidade e irregularidade menstrual. A SOP está frequentemente associada à obesidade e resistência à insulina, aumentando o risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A fisiopatologia da SOP é complexa, envolvendo uma interação entre fatores genéticos e ambientais. A resistência à insulina desempenha um papel central, levando à hiperinsulinemia compensatória, que estimula a produção ovariana de androgênios e diminui a síntese hepática de SHBG, elevando os níveis de testosterona livre. O diagnóstico é clínico e laboratorial, baseado nos critérios de Rotterdam, e a exclusão de outras causas de hiperandrogenismo é fundamental. O tratamento inicial da SOP em pacientes obesas ou com sobrepeso foca em mudanças no estilo de vida, incluindo dieta e exercícios físicos, visando a perda de peso. A redução de apenas 5-10% do peso corporal pode melhorar significativamente a resistência à insulina, regularizar os ciclos menstruais, reduzir o hiperandrogenismo e restaurar a ovulação. A terapia farmacológica, como contraceptivos orais combinados para regularização menstrual e antiandrogênios para hirsutismo, é introduzida se as medidas de estilo de vida forem insuficientes ou para sintomas específicos.
O diagnóstico de SOP é feito pelos critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia (após exclusão de outras causas).
A perda de peso melhora a resistência à insulina, que é um fator chave na fisiopatologia da SOP. Isso leva à redução dos níveis de androgênios, melhora da ovulação, regularização dos ciclos menstruais e diminuição do hirsutismo e acne.
O tratamento farmacológico, como antiandrogênios (espironolactona, flutamida) ou inibidores da 5-alfa-redutase, é considerado se as mudanças de estilo de vida e contraceptivos orais combinados não forem suficientes após 6-12 meses para controlar o hirsutismo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo