SOP e Resistência Insulínica: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 21 anos de idade, refere ciclos menstruais a cada 90 dias, com duração de 5 dias. Nega dismenorreia. Refere uso de preservativo nas relações sexuais. Exame físico: bom estado geral, IMC: 28 kg/m², apresenta acne no rosto e manchas arroxeadas na axila e virilha. Entre os diagnósticos abaixo, o mais provável é:

Alternativas

  1. A) síndrome de Cushing associada a síndrome dos ovários policísticos.
  2. B) deficiência da 21-hidroxilase associada a síndrome dos ovários policísticos.
  3. C) hipotiroidismo secundário a síndrome dos ovários policísticos.
  4. D) síndrome dos ovários policísticos com resistência insulínica aumentada.

Pérola Clínica

Oligomenorreia + hiperandrogenismo (acne) + acanthosis nigricans + IMC ↑ → SOP com resistência insulínica.

Resumo-Chave

A paciente apresenta oligomenorreia (ciclos a cada 90 dias), sinais de hiperandrogenismo (acne) e acanthosis nigricans (manchas arroxeadas na axila e virilha), que é um marcador cutâneo de resistência insulínica. O IMC elevado (28 kg/m²) também é um fator de risco para resistência insulínica na SOP. Esses achados são clássicos da Síndrome dos Ovários Policísticos, frequentemente associada à resistência insulínica.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizado por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. É uma das principais causas de infertilidade anovulatória e está associada a diversas comorbidades metabólicas e cardiovasculares. A prevalência varia, mas estima-se que afete 5-10% das mulheres em idade fértil. O diagnóstico da SOP é feito pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou laboratorial (testosterona elevada), e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas de hiperandrogenismo ou disfunção menstrual. A resistência insulínica é uma característica central da SOP, presente em 50-70% das mulheres com a síndrome, independentemente do peso. Ela exacerba o hiperandrogenismo ao aumentar a produção de androgênios ovarianos e diminuir a síntese hepática de SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais). A acanthosis nigricans, presente na paciente, é um sinal cutâneo de resistência insulínica, caracterizada por hiperpigmentação e espessamento da pele em áreas de dobras. O tratamento da SOP é multifacetado e visa controlar os sintomas e reduzir os riscos metabólicos. Inclui modificações no estilo de vida (dieta e exercício), contraceptivos orais para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, e sensibilizadores de insulina como a metformina, especialmente em pacientes com resistência insulínica e/ou obesidade, para melhorar a ovulação e o perfil metabólico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

Os Critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três: oligomenorreia/anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas.

Como a resistência insulínica se manifesta na SOP?

A resistência insulínica na SOP manifesta-se clinicamente por acanthosis nigricans, obesidade central e maior risco de diabetes tipo 2. Ela contribui para o hiperandrogenismo ao aumentar a produção ovariana de androgênios.

Quais são os diferenciais da SOP que devem ser excluídos?

Os principais diferenciais incluem hiperplasia adrenal congênita não clássica (deficiência de 21-hidroxilase), tumores secretores de androgênios, síndrome de Cushing, hiperprolactinemia e disfunção tireoidiana.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo