SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Mulher de 28 anos, casada, G1P1, comparece para atendimento em Unidade Básica de Saúde apresentando sangramento vaginal persistente há 40 dias, de pequena intensidade. Relata atrasos menstruais frequentes, com ciclos menstruais 3 vezes ao ano. Teve um parto vaginal há 5 anos, sem intercorrências. No momento, faz uso de preservativo masculino como contraceptivo. Nega fumo ou comorbidades. Nega uso de medicações. Ao exame: normocorada, IMC = 35 kg/m2 . Apresenta acne facial e em tronco, além de manchas escuras com textura aveludada em pescoço e axilas. Exame físico ginecológico sem anormalidades. Apresenta, à ultrassonografia transvaginal, volume uterino 100cm3 , com eco endometrial medindo 10mm, ovários de aspecto normal, com volumes 11cm3 e 13cm3 à direita e à esquerda, respectivamente. Apresenta exames Hb, Ht, TSH e prolactina recentes de valores normais. Qual conduta é mais adequada para tratar sua queixa?
SOP + sangramento disfuncional + endométrio espessado → Estrogênio e progestagênio combinados.
A paciente apresenta quadro clássico de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) com oligomenorreia, hiperandrogenismo (acne, acantose nigricans) e obesidade. O sangramento persistente e o eco endometrial espessado sugerem hiperplasia endometrial por anovulação crônica. A terapia combinada com estrogênio e progestagênio é a conduta mais adequada para regular o ciclo, proteger o endométrio e controlar os sintomas.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizado por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. A anovulação crônica é uma característica central, levando a irregularidades menstruais como oligomenorreia ou amenorreia, e é a causa mais comum de sangramento uterino disfuncional (SUD) nessa população. O SUD na SOP ocorre devido à exposição prolongada do endométrio a estrogênio sem a oposição cíclica da progesterona, que normalmente induziria a descamação endometrial. Isso resulta em proliferação endometrial excessiva, tornando-o frágil e propenso a sangramentos irregulares e prolongados. A obesidade e a resistência à insulina, frequentemente associadas à SOP, exacerbam esses sintomas e aumentam o risco de hiperplasia endometrial e câncer de endométrio. A conduta mais adequada para o tratamento do SUD na SOP, especialmente quando há hiperplasia endometrial, é a terapia com estrogênio e progestagênio combinados, geralmente na forma de contraceptivos orais combinados (COCs). Os COCs regulam o ciclo menstrual, induzem a descamação endometrial regular, reduzem os níveis de androgênios e oferecem proteção endometrial. Outras abordagens incluem progestagênios cíclicos ou contínuos, metformina para resistência à insulina e modificações no estilo de vida.
Os critérios de Rotterdam incluem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo-ovulação ou anovulação crônica, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários policísticos à ultrassonografia (embora este último não seja essencial se os outros dois estiverem presentes).
Na SOP, a anovulação crônica leva à exposição do endométrio a estrogênio sem a oposição adequada de progesterona. Isso causa proliferação endometrial excessiva (hiperplasia) e sangramento irregular e prolongado, conhecido como sangramento uterino disfuncional.
Os contraceptivos orais combinados são a primeira linha de tratamento para a SOP, pois regulam o ciclo menstrual, protegem o endométrio contra hiperplasia, reduzem os níveis de androgênios (melhorando acne e hirsutismo) e fornecem contracepção eficaz.
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