Síndrome dos Ovários Policísticos: Diagnóstico e Critérios

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente com 20 anos de idade, referindo ciclos menstruais a cada 28 dias, fluxo normal, menarca aos 11 anos, acne facial inflamatória, hirsutismo e índice de massa corpórea de 28 kg/m². Realizou ultrassonografia pélvica transvaginal que revelou ovário esquerdo com 11 cm³ e presença de 24 folículos antrais dispersos no tecido gonadal. Qual é o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Síndrome metabólica.
  2. B) Síndrome de Cushing.
  3. C) Síndrome adrenal congênita.
  4. D) Síndrome dos ovários policísticos.

Pérola Clínica

SOP = 2/3 critérios Rotterdam (hiperandrogenismo, oligo/anovulação, ovários policísticos USG).

Resumo-Chave

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum. O diagnóstico é feito pelos critérios de Rotterdam (2 de 3: hiperandrogenismo clínico/laboratorial, oligo/anovulação, ovários policísticos à USG). A paciente apresenta hiperandrogenismo (acne, hirsutismo) e ovários policísticos à USG, mesmo com ciclos regulares.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino complexo e heterogêneo, afetando cerca de 5-10% das mulheres em idade reprodutiva. É a causa mais comum de anovulação crônica e hiperandrogenismo, com implicações significativas para a saúde reprodutiva, metabólica e cardiovascular. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações a longo prazo. A fisiopatologia da SOP envolve uma interação complexa de fatores genéticos e ambientais, resultando em disfunção ovariana, resistência à insulina e hiperandrogenismo. A resistência à insulina leva à hiperinsulinemia, que estimula a produção de androgênios ovarianos e adrenais. O diagnóstico é baseado nos critérios de Rotterdam, que requerem a presença de dois dos três achados: oligo/anovulação, hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e ovários policísticos à ultrassonografia. O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas e prevenir complicações. Inclui modificações no estilo de vida (dieta e exercício para perda de peso), contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, e sensibilizadores de insulina como a metformina. O prognóstico depende do manejo das comorbidades e do acompanhamento contínuo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Rotterdam para o diagnóstico de SOP?

Os critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários policísticos à ultrassonografia (≥20 folículos antrais ou volume ovariano ≥10 mL em pelo menos um ovário).

É possível ter SOP com ciclos menstruais regulares?

Sim, é possível. Pacientes com SOP podem ter ciclos regulares se apresentarem hiperandrogenismo e ovários policísticos à ultrassonografia, mas sem oligo ou anovulação evidente.

Quais são as manifestações clínicas do hiperandrogenismo na SOP?

As manifestações clínicas do hiperandrogenismo incluem hirsutismo (crescimento excessivo de pelos em áreas androgênio-dependentes), acne (especialmente inflamatória e persistente), alopecia androgenética e, em casos mais raros, virilização.

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