Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Mulher de 38 anos de idade está sem menstruar há 8 meses. Não faz uso de nenhuma medicação e não refere outras queixas. Ao exame, PA: 140 × 80 mmHg; IMC: 34 kg/m², presença de áreas escuras nas regiões de dobras cutâneas. Ao exame ginecológico, não se observam alterações significativas. Nesse caso, espera-se que o uso de:
Amenorreia + obesidade + acantose nigricans → SOP com anovulação. Teste de progesterona positivo (sangramento) = estrogênio presente.
O quadro clínico sugere Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), onde a anovulação crônica leva à amenorreia. Na SOP, há produção estrogênica contínua (sem oposição da progesterona), e o teste de progesterona serve para confirmar a presença de estrogênio endógeno e a capacidade de sangramento do endométrio.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizado por irregularidades menstruais, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. O caso clínico apresenta um quadro clássico de SOP, com amenorreia secundária, obesidade (IMC 34 kg/m²), hipertensão e acantose nigricans, esta última um marcador cutâneo de resistência insulínica. A fisiopatologia da SOP é complexa e envolve uma interação entre fatores genéticos e ambientais. A resistência insulínica desempenha um papel central, levando à hiperinsulinemia compensatória, que por sua vez estimula a produção ovariana de androgênios e diminui a síntese hepática de SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), aumentando a testosterona livre. A anovulação crônica resulta da disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, levando à amenorreia ou oligomenorreia. O teste de progesterona é um importante passo diagnóstico na avaliação da amenorreia. Se houver sangramento de privação após a administração de progesterona, isso indica que o endométrio foi previamente estimulado por estrogênio endógeno suficiente e que o problema reside na anovulação (falta de progesterona cíclica). Este achado é consistente com SOP. O tratamento visa controlar os sintomas e reduzir os riscos metabólicos, incluindo mudanças no estilo de vida, metformina para resistência insulínica e contraceptivos orais para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo.
Os sinais incluem irregularidades menstruais (como amenorreia ou oligomenorreia), hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia), obesidade, acantose nigricans e resistência insulínica.
Em pacientes com SOP e amenorreia, há produção contínua de estrogênio, mas ausência de ovulação e, consequentemente, de progesterona. A administração exógena de progesterona mimetiza a fase lútea, e sua retirada causa sangramento de privação endometrial.
A resistência insulínica é um componente central da SOP, contribuindo para o hiperandrogenismo (aumentando a produção de androgênios ovarianos) e para as disfunções metabólicas, como obesidade, hipertensão e risco de diabetes tipo 2.
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