SOP em Adolescentes: Diagnóstico e Exames Iniciais

CSNSC - Casa de Saúde Nossa Senhora do Carmo (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Adolescente feminina, 15 anos, procura ambulatório por apresentar irregularidade menstrual desde a menarca. Menarca: 12 anos, ciclos com espaço de até seis meses. Exame físico: acne e hirsutismo facial, Tanner: M5P4, P: 70kg, Alt: 153cm, IMC: 29,90kg/m². Baseado no relato acima deverão ser solicitados:

Alternativas

  1. A) TC de crânio, dosar LH/FSH
  2. B) US pélvico, dosar DHEA e testosterona
  3. C) TC de suprarrenal, dosar TSH e T4 livre
  4. D) US pélvico, dosar gonadotrofina coriônica humana

Pérola Clínica

Adolescente + irregularidade menstrual + hirsutismo + acne + obesidade → Suspeita SOP → US pélvico + dosagens hormonais (DHEA, testosterona).

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clínico altamente sugestivo de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), com irregularidade menstrual, sinais de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo) e obesidade. A investigação inicial deve incluir ultrassonografia pélvica para avaliar morfologia ovariana e dosagens hormonais para confirmar o hiperandrogenismo e excluir outras causas.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, incluindo adolescentes. Caracteriza-se por hiperandrogenismo, disfunção ovulatória (resultando em irregularidade menstrual) e, frequentemente, ovários com morfologia policística à ultrassonografia. Em adolescentes, o diagnóstico pode ser complexo devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. A fisiopatologia da SOP envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais, resultando em resistência à insulina, hiperinsulinemia compensatória e aumento da produção de andrógenos ovarianos e adrenais. Os sinais clínicos incluem hirsutismo, acne, alopecia androgênica e irregularidade menstrual (oligomenorreia ou amenorreia). A obesidade é uma comorbidade frequente, exacerbando a resistência à insulina. A investigação diagnóstica deve incluir uma anamnese detalhada, exame físico e exames laboratoriais para avaliar o perfil hormonal (testosterona total, DHEA-S, LH/FSH, TSH, prolactina) e metabólico (glicemia, perfil lipídico). A ultrassonografia pélvica é útil para avaliar a morfologia ovariana, mas deve ser interpretada com cautela em adolescentes. O tratamento visa controlar os sintomas, prevenir complicações a longo prazo e restaurar a ovulação, se desejado.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para SOP em adolescentes?

O diagnóstico de SOP em adolescentes é desafiador. Geralmente, requer a presença de hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne grave) ou laboratorial (testosterona elevada) e irregularidade menstrual persistente após 2 anos da menarca, excluindo outras causas. A ultrassonografia de ovários policísticos não é um critério isolado em adolescentes.

Por que é importante dosar DHEA e testosterona na suspeita de SOP?

A dosagem de DHEA-S (sulfato de deidroepiandrosterona) e testosterona total é fundamental para confirmar o hiperandrogenismo e ajudar a diferenciar a SOP de outras condições que causam excesso de andrógenos, como tumores adrenais ou ovarianos.

Quais outras condições devem ser excluídas ao suspeitar de SOP em adolescentes?

É crucial excluir outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual, como hiperplasia adrenal congênita de início tardio, tumores secretores de andrógenos, disfunção tireoidiana, hiperprolactinemia e síndrome de Cushing.

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