Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2022
A anovulação crônica hiperandrogênica ou síndrome dos ovários policísticos é a endocrinopatia mais comum nas mulheres. Sobre essa síndrome, assinale a alternativa correta.
SOP → risco ↑ câncer endométrio, doenças cardiovasculares e diabetes mellitus.
A SOP, caracterizada por anovulação crônica e hiperandrogenismo, não é apenas uma condição reprodutiva. Suas implicações metabólicas e cardiovasculares, como resistência à insulina, dislipidemia e maior risco de diabetes tipo 2 e doenças cardíacas, exigem manejo abrangente e rastreamento contínuo.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10%. Caracteriza-se por anovulação crônica, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística ao ultrassom, sendo um diagnóstico de exclusão. Sua importância clínica transcende a esfera reprodutiva, impactando significativamente a saúde geral da mulher. A fisiopatologia da SOP é complexa e multifatorial, envolvendo resistência à insulina, disfunção hipotalâmico-hipofisária e produção excessiva de androgênios ovarianos e adrenais. O diagnóstico é baseado nos critérios de Rotterdam (dois de três: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico/laboratorial, ovários policísticos ao ultrassom, após exclusão de outras causas). É crucial suspeitar de SOP em pacientes com irregularidade menstrual, hirsutismo, acne e infertilidade. O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo. Inclui mudanças no estilo de vida (dieta e exercício), contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, metformina para resistência à insulina e indutores de ovulação para infertilidade. O manejo deve focar na prevenção de diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares e câncer de endométrio, que são riscos aumentados nessas pacientes.
As principais complicações metabólicas da SOP incluem resistência à insulina, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia e obesidade, que aumentam o risco cardiovascular.
O risco aumentado de câncer de endométrio na SOP deve-se à exposição prolongada e desregulada ao estrogênio sem a oposição da progesterona, devido à anovulação crônica.
O rastreamento inclui avaliação de glicemia, perfil lipídico, pressão arterial e, em alguns casos, biópsia de endométrio, além de acompanhamento do peso e estilo de vida.
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