MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 26 anos procura atendimento ginecológico com queixa de excesso de pelos em face, tórax e região infraumbilical, além de acne persistente em dorso. Relata que seus ciclos menstruais são regulares desde a menarca, com intervalos de 28 a 30 dias e duração de 5 dias. Ao exame físico, apresenta Índice de Massa Corporal (IMC) de 28,5 kg/m² e escore de Ferriman-Gallwey modificado de 10. Os exames laboratoriais revelam: Testosterona total de 82 ng/dL (referência: 15 a 70 ng/dL), Prolactina de 14 ng/mL, TSH de 2,2 mUI/L e 17-hidroxiprogesterona (17-OHP) de 1,1 ng/mL. A ultrassonografia transvaginal, realizada no 5º dia do ciclo, demonstrou ovário direito com volume de 12,5 cm³ e ovário esquerdo com 11,2 cm³, ambos apresentando mais de 15 folículos medindo entre 3 e 8 mm. Com base nos Critérios de Rotterdam, assinale a alternativa que apresenta a classificação correta do fenótipo e o diagnóstico diferencial adequadamente excluído:
SOP Fenótipo C (Ovulatório) = Hiperandrogenismo + Morfologia Policística (sem anovulação).
O diagnóstico de SOP exige a exclusão de outras causas de hiperandrogenismo, como a HAC não clássica, enquanto os fenótipos variam conforme a combinação dos critérios de Rotterdam.
A SOP é uma desordem endócrina complexa com repercussões metabólicas e reprodutivas. A paciente do caso apresenta o fenótipo C, que frequentemente é subdiagnosticado por manter a regularidade menstrual. A obesidade (IMC 28,5) agrava o quadro por aumentar a resistência insulínica, que estimula a produção de androgênios ovarianos. O manejo deve focar na redução do risco cardiovascular, controle do hirsutismo e, se necessário, indução da ovulação para fertilidade.
O diagnóstico de SOP, segundo o Consenso de Rotterdam (2003), requer a presença de pelo menos dois dos três critérios seguintes: 1) Oligo-ovulação ou anovulação (geralmente manifestada por irregularidade menstrual); 2) Sinais clínicos e/ou bioquímicos de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo, testosterona elevada); 3) Morfologia de ovários policísticos à ultrassonografia (≥ 12 folículos de 2-9 mm em cada ovário ou volume ovariano > 10 cm³). É imperativo que outras etiologias, como distúrbios da tireoide, hiperprolactinemia e hiperplasia adrenal congênita, sejam excluídas antes de confirmar a síndrome. O diagnóstico é de exclusão, exigindo uma avaliação laboratorial criteriosa para evitar tratamentos desnecessários e focar na fisiopatologia correta de cada paciente.
Os fenótipos são classificados conforme a combinação dos critérios: Fenótipo A (Clássico): Hiperandrogenismo + Anovulação + Ovários Policísticos; Fenótipo B (Clássico): Hiperandrogenismo + Anovulação; Fenótipo C (Ovulatório): Hiperandrogenismo + Ovários Policísticos (ciclos regulares); Fenótipo D (Não androgênico): Anovulação + Ovários Policísticos. No caso clínico apresentado, a paciente tem ciclos regulares (afasta anovulação), mas possui hiperandrogenismo (Ferriman 10 e testosterona 82) e imagem sugestiva, caracterizando o Fenótipo C. Identificar o fenótipo é crucial para o manejo, pois pacientes com fenótipos clássicos (A e B) apresentam maior risco metabólico e cardiovascular em comparação aos fenótipos C e D, exigindo acompanhamento mais rigoroso.
A dosagem da 17-hidroxiprogesterona (17-OHP) é essencial para excluir a Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) na forma não clássica, que é o principal diagnóstico diferencial da SOP devido à apresentação clínica similar de hirsutismo e irregularidade menstrual. Valores de 17-OHP inferiores a 2 ng/mL (como o 1,1 ng/mL da paciente) excluem confiavelmente a HAC por deficiência da enzima 21-hidroxilase. Valores entre 2 e 10 ng/mL sugerem a necessidade de um teste de estímulo com ACTH para confirmação, enquanto valores > 10 ng/mL são altamente sugestivos do diagnóstico de HAC. Essa distinção é vital, pois o tratamento da HAC pode envolver o uso de glicocorticoides, diferindo da abordagem terapêutica padrão da SOP.
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