INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Mulher com 32 anos de idade procura ginecologista, queixando-se de irregularidade menstrual e dificuldade para engravidar. As menstruações frequentemente atrasam, chegando a ficar 120 dias sem menstruar. Gesta 1, Para 1, com antecedente de diabetes gestacional na primeira gestação, há oito anos. É sedentária, nega tabagismo e etilismo. Refere ter aumentado cerca de 15 Kg desde o parto. Exame físico: presença de acne facial e hirsutismo, além de Acantose nigricans nas axilas e região nucal. Trouxe resultado de ultrassonografia transvaginal mostrando ovários com volume aumentado e presença de mais de doze folículos, medindo 9 mm em ambos os ovários. Com base nos dados apresentados, é correto afirmar que a paciente apresenta risco aumentado para:
SOP → Anovulação crônica → Estrogênio sem oposição → ↑ Risco de Hiperplasia Endometrial.
A anovulação crônica na SOP resulta em exposição endometrial prolongada ao estrogênio sem a contraposição da progesterona, elevando o risco de hiperplasia e câncer de endométrio.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres na idade reprodutiva. O caso clínico apresenta uma tríade clássica: irregularidade menstrual (oligomenorreia), sinais de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo) e evidência ultrassonográfica de ovários policísticos. A presença de acantose nigricans e o histórico de diabetes gestacional reforçam o componente metabólico de resistência à insulina. A fisiopatologia da hiperplasia endometrial neste contexto é direta: a ausência de ovulação impede a produção cíclica de progesterona. A progesterona é o hormônio responsável por interromper a proliferação endometrial induzida pelo estrogênio e promover a diferenciação secretora. Sem ela, o endométrio permanece em fase proliferativa persistente, tornando-se instável e propenso a transformações neoplásicas. O manejo clínico deve focar na proteção endometrial, geralmente através do uso de anticoncepcionais orais combinados ou progestagênios cíclicos.
Na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), a paciente frequentemente apresenta ciclos anovulatórios. Sem a ovulação, não há formação do corpo lúteo e, consequentemente, não há produção de progesterona na segunda fase do ciclo. O endométrio fica exposto apenas à ação proliferativa do estrogênio (estrogênio sem oposição), o que leva ao crescimento excessivo do tecido endometrial, podendo evoluir para hiperplasia simples, complexa e, eventualmente, adenocarcinoma de endométrio.
O diagnóstico de SOP pelo consenso de Rotterdam exige a presença de pelo menos 2 de 3 critérios: 1) Oligo-ovulação ou anovulação (manifestada por irregularidade menstrual); 2) Sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo, alopecia ou testosterona elevada); 3) Imagem ultrassonográfica compatível (presença de 12 ou mais folículos de 2-9mm ou volume ovariano > 10cm³). Outras causas de hiperandrogenismo devem ser excluídas.
A Acantose nigricans é um marcador clínico de resistência insulínica severa. Na SOP, a hiperinsulinemia compensatória estimula as células da teca ovariana a produzir mais androgênios e reduz a síntese hepática de SHBG (globulina transportadora de hormônios sexuais), aumentando a fração livre de testosterona. Além disso, a insulina em excesso atua nos receptores de IGF-1 nos queratinócitos e fibroblastos, causando o espessamento e escurecimento da pele característicos.
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