SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2023
Uma paciente de 22 anos de idade, cuja menarca foi aos 14 anos de idade, comparece ao consultório alegando não aguentar mais sangramentos volumosos, que aparecem de surpresa: às vezes menstrua a cada 35 dias, às vezes chega a ficar 90 dias sem sangramento. Segundo a paciente, quanto mais longo o intervalo entre os sangramentos, mais intenso o fluxo. A paciente também relata ter ganhado peso nos últimos anos e não conseguir controle adequado. Além disso, a paciente busca método contraceptivo, por ter medo de usar apenas preservativo nas relações sexuais. A escala de Ferriman-Gallwey soma 8 pontos, mas a paciente não apresenta aumento de pelos como queixa, apesar de relatar aumento de espinhas e já ter consulta agendada com a dermatologista. A paciente apresenta os seguintes exames laboratoriais: prolactina, 17-alfa-hidroxiprogesterona, TSH/T4 livre, SDHEA, cortisol e testosterona total e livre ainda dentro do normal; a relação LH/FSH é de 3,5. A paciente não apresenta micropolicistos pelo exame de ultrassom transvaginal.Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa correta.
SOP: 2/3 critérios de Rotterdam (oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico/laboratorial, ovários policísticos USG). Fenótipo B = oligo/anovulação + hiperandrogenismo.
A paciente preenche os critérios para SOP (oligo/anovulação e hiperandrogenismo clínico - Ferriman-Gallwey 8 e espinhas), mesmo sem ovários policísticos no USG (fenótipo B). A relação LH/FSH > 2-3 é sugestiva, e o tratamento envolve mudanças no estilo de vida e contraceptivos orais combinados.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino complexo e heterogêneo, sendo a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 8-13%. É caracterizada por disfunção reprodutiva, metabólica e hiperandrogenismo. O diagnóstico é feito pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação, hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e ovários policísticos à ultrassonografia. No caso apresentado, a paciente tem oligo/anovulação (sangramentos irregulares e volumosos) e hiperandrogenismo clínico (Ferriman-Gallwey 8, espinhas), mesmo com exames hormonais de androgênios normais e ultrassom sem ovários policísticos. Isso configura o fenótipo B da SOP (oligo/anovulação + hiperandrogenismo). A relação LH/FSH de 3,5 é sugestiva de SOP, embora não seja um critério diagnóstico primário. O tratamento da SOP é multifacetado e visa controlar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo. Inclui modificações no estilo de vida (dieta e atividade física) para controle de peso e resistência insulínica, e contraceptivos orais combinados para regularizar o ciclo menstrual, reduzir o hiperandrogenismo e proteger o endométrio. Residentes devem estar aptos a diagnosticar os diferentes fenótipos da SOP e a propor um plano de tratamento individualizado.
Os critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação (ciclos irregulares ou ausentes), hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou laboratorial (testosterona elevada), e ovários policísticos à ultrassonografia (≥ 20 folículos em um ovário ou volume ovariano > 10 cm³).
Uma relação LH/FSH elevada (geralmente > 2 ou 3:1) é um achado comum na SOP, refletindo o aumento da frequência e amplitude dos pulsos de GnRH. Isso favorece a secreção de LH em detrimento do FSH, contribuindo para a anovulação e o hiperandrogenismo ovariano.
A contracepção oral combinada é um tratamento de primeira linha para a SOP, pois regulariza o ciclo menstrual, reduz os níveis de androgênios (melhorando hirsutismo e acne) e protege o endométrio contra a hiperplasia devido à anovulação crônica. Também oferece contracepção eficaz.
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