SOP: Diagnóstico, Infertilidade e Manejo Terapêutico

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 27 anos, G0P0, refere desejo de engravidar. Apresenta oligomenorragia desde os 10 anos, quando teve menarca. Tem menstruações a cada 50 dias aproximadamente, com fluxo menstrual bastante intenso. Seu IMC é 33, e o Índice de Ferriman-Gallway é 12. A respeito do caso, assinale a opção incorreta.

Alternativas

  1. A) É importante realizar a dosagem de TSH, FSH, LH, 17-OH-progesterona, testosterona total, sulfato de DHEA e SHBG.
  2. B) Para diagnóstico de SOMP, é obrigatória a realização de ultrassonografia transvaginal que evidencie mais de 12 folículos menores que 9mm em cada ovário ou volume ovariano maior ou igual a 10 cm3 .
  3. C) Trata-se de um provável caso de anovulação crônica, sendo que, se o teste da progesterona for positivo, os níveis de estrogênio serão normais ou elevados.
  4. D) A investigação da infertilidade deve se iniciar sempre com a realização do espermograma, mesmo em casos de manifestações endócrinas femininas.
  5. E) A primeira linha terapêutica para pacientes com SOMP que desejam engravidar é o citrato de clomifeno; para as que não querem, são os anticoncepcionais combinados com progesteronas antiandrogênicas

Pérola Clínica

Critérios de Rotterdam para SOP: 2 de 3 (oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico/laboratorial, ovários policísticos USG).

Resumo-Chave

A ultrassonografia transvaginal não é obrigatória para o diagnóstico de SOP, especialmente em adolescentes ou quando outros critérios já estão presentes. Os critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três achados principais para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por disfunção menstrual, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. Sua prevalência é significativa, tornando-a um tópico crucial na ginecologia e endocrinologia. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são essenciais para prevenir complicações a longo prazo, como infertilidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A fisiopatologia da SOP envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais, resultando em resistência à insulina, hiperandrogenismo e disfunção ovulatória. O diagnóstico é baseado nos Critérios de Rotterdam, que requerem a presença de dois dos três achados principais: oligo ou anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou laboratorial (testosterona elevada), e ovários policísticos na ultrassonografia. É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo, como hiperplasia adrenal congênita não clássica e tumores secretores de androgênios. O tratamento da SOP é individualizado e depende dos objetivos da paciente. Para aquelas que desejam engravidar, a primeira linha terapêutica é o citrato de clomifeno, seguido por letrozol ou gonadotrofinas, se necessário. Para pacientes que não desejam engravidar, os anticoncepcionais orais combinados com progesteronas antiandrogênicas são a primeira escolha para regular o ciclo menstrual e controlar o hiperandrogenismo. A modificação do estilo de vida, incluindo dieta e exercícios, é fundamental para todas as pacientes com SOP, especialmente aquelas com sobrepeso ou obesidade, visando melhorar a resistência à insulina e a ovulação.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

Os Critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três achados: oligo ou anovulação, sinais clínicos ou laboratoriais de hiperandrogenismo e ovários de aspecto policístico na ultrassonografia.

Qual a primeira linha de tratamento para infertilidade em pacientes com SOP?

Para pacientes com SOP que desejam engravidar, a primeira linha terapêutica é o citrato de clomifeno, um indutor de ovulação, que visa restaurar a ovulação.

Quais exames hormonais são importantes na investigação da SOP?

A investigação hormonal deve incluir TSH, FSH, LH, 17-OH-progesterona, testosterona total, sulfato de DHEA e SHBG para excluir outras causas de hiperandrogenismo e disfunção menstrual.

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