SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026
Ana, 24 anos, apresenta-se à clínica com queixas de irregularidade menstrual, apresentando ciclos que variam de 35 a 90 dias. Ela também relata ganho de peso recente, acne persistente e aumento de pelos faciais e corporais, o que a tem deixado bastante incomodada. Ana não possui histórico familiar de doenças endócrinas, mas menciona que sua mãe teve dificuldades para engravidar. Durante a consulta, o médico suspeita de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e decide realizar uma avaliação mais detalhada. Com base no caso clínico apresentado, analise as alternativas abaixo e identifique qual delas representa a abordagem correta em relação ao diagnóstico e tratamento da SOP em Ana:
Rotterdam = 2 de 3: Oligo/anovulação + Hiperandrogenismo + Morfologia policística ao USG.
O diagnóstico de SOP é de exclusão e baseia-se nos Critérios de Rotterdam, onde a morfologia policística ao ultrassom é um dos pilares, mas não obrigatória se os outros dois critérios estiverem presentes.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma desordem endócrina complexa que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por uma combinação de hiperandrogenismo e disfunção ovulatória. A fisiopatologia envolve uma secreção pulsátil anormal de GnRH, levando ao aumento da relação LH/FSH, além de estar frequentemente associada à resistência à insulina, que potencializa a produção androgênica ovariana. O manejo deve ser individualizado conforme o desejo reprodutivo e os sintomas predominantes. Para irregularidade menstrual e hirsutismo, os anticoncepcionais orais combinados são a primeira linha. A mudança no estilo de vida, com dieta e exercícios, é fundamental para todas as pacientes, especialmente aquelas com sobrepeso, visando melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir riscos metabólicos a longo prazo, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
Os Critérios de Rotterdam definem o diagnóstico de SOP pela presença de pelo menos dois dos três seguintes: 1) Oligo-ovulação ou anovulação; 2) Sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo; 3) Morfologia de ovários policísticos à ultrassonografia (12 ou mais folículos de 2-9 mm ou volume ovariano > 10 cm³). É fundamental excluir outras patologias, como hiperplasia adrenal congênita, tumores secretores de androgênios e síndrome de Cushing, antes de fechar o diagnóstico.
Não necessariamente. De acordo com os critérios de Rotterdam, se a paciente apresentar hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e irregularidade menstrual (oligo/anovulação), o diagnóstico de SOP pode ser firmado mesmo com uma ultrassonografia normal. O exame de imagem é um critério adicional que auxilia na fenotipagem da síndrome, mas a clínica soberana muitas vezes já preenche os requisitos necessários para o início da investigação e manejo.
A diferenciação exige avaliação laboratorial para excluir diagnósticos diferenciais. Deve-se solicitar TSH (tireoidopatias), Prolactina (hiperprolactinemia), 17-OH-progesterona (hiperplasia adrenal congênita forma não clássica) e, em casos de virilização rápida, testosterona total e SDHEA para descartar neoplasias produtoras de androgênios. A SOP é um diagnóstico de exclusão, embora seja a causa mais comum de hiperandrogenismo e anovulação na idade reprodutiva.
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