Síndrome dos Ovários Policísticos: Diagnóstico e Sinais

SMS Campo Grande - Secretaria Municipal de Saúde (MS) — Prova 2023

Enunciado

Nuligesta de 32 anos chega para consulta ambulatorial por dificuldade de engravidar. Ela relata tentativas nos últimos 2 anos, sem método contraceptivo e aumento da frequência dos intercursos sexuais, sem sucesso. Sua menarca foi aos 11 anos e seus ciclos menstruais ocorrem 2 a 3 vezes por ano. Cada um deles dura cerca de 7 a 10 dias. Ela nega o uso de tabaco, álcool ou qualquer droga ilícita. Sua pressão arterial é 125/85 mmHg e seu pulso é de 80 bpm. O IMC é de 38 Kg/m². Seu exame físico revelou acne leve, pilificação aumentada em face e presença de pele pigmentada aveludada em região axilar e inguinal. O restante do exame físico segmentar ginecológico encontra-se normal. Qual é o diagnóstico provável nesse caso?

Alternativas

  1. A) Síndrome dos ovários policísticos.
  2. B) Insuficiência ovariana primária.
  3. C) Obstrução tubária consequente a inflamação prévia.
  4. D) Disgenesia gonadal.

Pérola Clínica

SOP = infertilidade + oligomenorreia + hiperandrogenismo clínico/laboratorial + obesidade/resistência à insulina.

Resumo-Chave

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum caracterizada por disfunção ovulatória (oligomenorreia/amenorreia), hiperandrogenismo (hirsutismo, acne) e morfologia ovariana policística. A obesidade e a resistência à insulina são achados frequentes que contribuem para a fisiopatologia e manifestações clínicas.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10% da população feminina. Caracteriza-se por um espectro de manifestações clínicas que incluem irregularidades menstruais (oligomenorreia ou amenorreia), hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia androgênica) e infertilidade. Sua importância clínica reside não apenas na dificuldade reprodutiva, mas também no risco aumentado de comorbidades metabólicas e cardiovasculares a longo prazo. A fisiopatologia da SOP é complexa e multifatorial, envolvendo resistência à insulina, hiperandrogenismo e disfunção ovulatória. A resistência à insulina leva a um aumento compensatório da insulina, que estimula a produção de androgênios ovarianos e diminui a síntese hepática de globulina transportadora de hormônios sexuais (SHBG), elevando a testosterona livre. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Rotterdam, e requer a exclusão de outras causas de hiperandrogenismo e disfunção menstrual, como hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana e hiperplasia adrenal congênita não clássica. O tratamento da SOP é individualizado e focado nos sintomas predominantes. Para a infertilidade, a indução da ovulação é a principal abordagem. Para o hiperandrogenismo e irregularidades menstruais, contraceptivos orais combinados são frequentemente utilizados. A modificação do estilo de vida, incluindo dieta e exercícios, é fundamental para o manejo da obesidade e resistência à insulina, melhorando os desfechos metabólicos e reprodutivos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

O diagnóstico de SOP é feito pelos critérios de Rotterdam, que incluem a presença de pelo menos dois dos seguintes: oligo ou anovulação, sinais clínicos ou laboratoriais de hiperandrogenismo, e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras endocrinopatias.

Qual a relação entre obesidade e Síndrome dos Ovários Policísticos?

A obesidade está presente em cerca de 50-70% das mulheres com SOP e agrava a resistência à insulina, que é um fator chave na fisiopatologia da síndrome, contribuindo para o hiperandrogenismo e a disfunção ovulatória.

Como a SOP afeta a fertilidade feminina?

A SOP é uma das principais causas de infertilidade anovulatória. A disfunção ovulatória impede a liberação regular de óvulos, dificultando a concepção natural. O tratamento visa restaurar a ovulação.

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