SOP: Diagnóstico e Manejo do Hiperandrogenismo

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 24 anos, procura atendimento com seu médico na Unidade de Saúde da Família (USF) devido a irregularidade menstrual, com períodos de amenorreia de até 4 meses. Observou aumento progressivo nos últimos 4 anos de pelos em face, perimamilar e infraumbilical. A acne anteriormente era observada somente em face e agora também em dorso. Menarca com 12 anos. Não mantém relações sexuais. Nega ingesta de medicações e hormônios. O exame ginecológico não apresenta aumento de clitóris. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?

Alternativas

  1. A) Tumor adrenal.
  2. B) Síndrome hepatorrenal.
  3. C) Hiperplasia adrenal congênita forma clássica.
  4. D) Síndrome dos ovários policísticos.
  5. E) Teratoma ovariano.

Pérola Clínica

SOP → irregularidade menstrual + hiperandrogenismo clínico/laboratorial + exclusão de outras causas.

Resumo-Chave

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum em mulheres jovens, caracterizada por anovulação crônica, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística ao ultrassom, após exclusão de outras causas de hiperandrogenismo.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma das endocrinopatias mais comuns em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10%. Caracteriza-se por uma tríade de anovulação crônica, hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e ovários policísticos à ultrassonografia. Sua importância clínica reside não apenas nos sintomas reprodutivos e estéticos, mas também no aumento do risco de complicações metabólicas a longo prazo, como resistência à insulina, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A fisiopatologia da SOP é multifatorial, envolvendo disfunção hipotalâmico-hipofisária, resistência à insulina e produção excessiva de andrógenos ovarianos. O diagnóstico é feito pelos critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três achados mencionados, após exclusão de outras causas de hiperandrogenismo. A suspeita deve surgir em pacientes com irregularidade menstrual desde a menarca, hirsutismo, acne e, por vezes, infertilidade. A ausência de sinais de virilização grave, como clitoromegalia, é um dado clínico relevante que aponta para SOP em vez de tumores virilizantes. O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas e prevenir complicações. Inclui mudanças no estilo de vida (dieta e exercícios), contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, antiandrogênios para hirsutismo e acne, e sensibilizadores de insulina como a metformina para resistência à insulina. O manejo adequado é fundamental para melhorar a qualidade de vida e reduzir riscos futuros.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

Os critérios de Rotterdam incluem oligomenorreia ou anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras etiologias.

Como diferenciar SOP de outras causas de hirsutismo e irregularidade menstrual?

É crucial excluir outras condições como hiperplasia adrenal congênita não clássica (dosagem de 17-OH progesterona), tumores produtores de andrógenos (testosterona total e DHEA-S) e disfunção tireoidiana.

Qual a importância da ausência de clitoromegalia no diagnóstico de SOP?

A ausência de clitoromegalia é um dado importante que ajuda a afastar causas mais graves de hiperandrogenismo, como tumores virilizantes, que geralmente cursam com sinais de virilização mais intensos.

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