UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Jovem de 15 anos de idade procura atendimento ginecológico com queixa de acne, oleosidade na pele e aumento de pelos no rosto.Refere ciclos menstruais irregulares, sem dor e que ainda não teve início de vida sexual.A ultrassonografia pélvica mostra útero com volume de 50 cm³ e ovários com ecogenicidade preservada, com algumas imagens anecóicas de até 5 mm.Traz os seguintes exames:Testosterona livre: 6,8 pg/mL (valor normal: 0,3 - 3,2 pg/mL)Sulfato de deihidroepiandrosterona: 650 µg/dL (valor normal: 38 - 320 µg/dL) FSH: 6 mUI/mL (valor normal: até 12 mUI/mL)Qual é o diagnóstico?
SOP = 2 de 3 critérios de Rotterdam (hiperandrogenismo, oligo/anovulação, ovários policísticos USG).
A paciente apresenta hiperandrogenismo clínico (acne, hirsutismo) e laboratorial (testosterona livre, DHEA-S elevados), além de oligo/anovulação (ciclos irregulares). Embora a USG não seja típica de ovários policísticos clássicos (>12 folículos de 2-9mm), os outros dois critérios são suficientes para o diagnóstico de SOP em adolescentes após exclusão de outras causas.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, com prevalência estimada entre 5% e 10%. É uma das principais causas de infertilidade anovulatória e está associada a diversas comorbidades metabólicas e cardiovasculares. O diagnóstico precoce é crucial para o manejo adequado e prevenção de complicações a longo prazo. A fisiopatologia da SOP é complexa e multifatorial, envolvendo resistência à insulina, disfunção hipotalâmica-hipofisária e produção excessiva de androgênios ovarianos e/ou adrenais. O diagnóstico em adolescentes baseia-se nos critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos seguintes: oligo ou anovulação, hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia. É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual, como hiperplasia adrenal congênita não clássica e tumores. O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas, prevenir complicações e restaurar a fertilidade, se desejado. Inclui mudanças no estilo de vida (dieta e exercícios), contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, antiandrogênios e sensibilizadores de insulina como a metformina. O acompanhamento regular é essencial para monitorar comorbidades e ajustar a terapia.
Os critérios de Rotterdam para SOP incluem dois de três achados: oligo ou anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo e ovários policísticos à ultrassonografia. Em adolescentes, a USG é menos valorizada.
O hiperandrogenismo pode ser avaliado clinicamente por hirsutismo (escore de Ferriman-Gallwey), acne e alopecia androgênica. Laboratorialmente, é confirmado por níveis elevados de testosterona total ou livre, ou DHEA-S.
Os diagnósticos diferenciais da SOP incluem hiperplasia adrenal congênita não clássica, tumores produtores de androgênios, síndrome de Cushing, hiperprolactinemia e disfunção tireoidiana, que devem ser excluídos antes do diagnóstico de SOP.
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