SOP: Diagnóstico pelos Critérios de Rotterdam

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2020

Enunciado

Paciente, 26 anos, G0 P0, chega ao ambulatório de ginecologia com queixas de ausência de menstruação há seis meses. Apresenta-se com excesso de peso (IMC= 40), placas aveludadas e enegrecidas na região da nuca, associadas a pelos grossos no queixo, buço e região do tórax. Traz consigo uma dosagem sérica dβ - HCG negativo, e o exame ecográfico (USG) não revela anormalidades na genitália interna. De acordo com esse quadro, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O quadro reflete síndrome da anovulação crônica, pois contempla dois dos três critérios de Rotterdam.
  2. B) O quadro é compatível com androginismo isolado, uma vez que a paciente não possui ovários policísticos na USG.
  3. C) Deve-se realizar exame ecográfico seriado para diagnosticar a síndrome da anovulação crônica.
  4. D) Para se diagnosticar a síndrome do hiperandrogenismo, deve-se solicitar a dosagem de testosterona e androstenediona.
  5. E) A síndrome só é estabelecida, se o índice de androgênios livres for maior que 25 e o índice de Ferriman Gallwey menor que 15.

Pérola Clínica

SOP: 2/3 critérios de Rotterdam (hiperandrogenismo, anovulação, ovários policísticos USG) para diagnóstico.

Resumo-Chave

A paciente apresenta amenorreia (anovulação crônica) e sinais clínicos de hiperandrogenismo (hirsutismo, acanthosis nigricans), que são dois dos três critérios de Rotterdam para SOP. A ausência de ovários policísticos na USG não exclui o diagnóstico, pois apenas dois critérios são suficientes.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. É uma das principais causas de infertilidade anovulatória e amenorreia secundária, com prevalência significativa na população feminina. Seu reconhecimento precoce é crucial para o manejo adequado e prevenção de complicações a longo prazo. A fisiopatologia da SOP envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais, resultando em resistência à insulina, hiperinsulinemia compensatória e aumento da produção de androgênios ovarianos e adrenais. O diagnóstico é estabelecido pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de dois dos três seguintes: oligo/anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo e ovários policísticos na ultrassonografia. É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo e disfunção menstrual. O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas e prevenir complicações. Inclui modificações no estilo de vida (dieta e exercícios para perda de peso), contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, e sensibilizadores de insulina como a metformina. Para pacientes que desejam engravidar, indutores de ovulação são utilizados. O acompanhamento regular é importante para monitorar o risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e câncer de endométrio.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Rotterdam para o diagnóstico de SOP?

Os critérios de Rotterdam para Síndrome dos Ovários Policísticos incluem hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, anovulação crônica e ovários policísticos na ultrassonografia. Dois dos três são suficientes para o diagnóstico.

A ausência de ovários policísticos na USG exclui o diagnóstico de SOP?

Não, a ausência de ovários policísticos na ultrassonografia não exclui o diagnóstico de SOP, desde que a paciente preencha os outros dois critérios de Rotterdam: hiperandrogenismo e anovulação crônica.

Quais são os sinais clínicos de hiperandrogenismo na SOP?

Os sinais clínicos de hiperandrogenismo na SOP incluem hirsutismo (crescimento excessivo de pelos), acne, alopecia androgênica e acanthosis nigricans, que indica resistência à insulina associada.

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