Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2021
Mulher, 19 anos, queixa-se de acne. Refere ciclos menstruais irregulares, com intervalos variáveis entre 36 e 40 dias, fluxo em pequena quantidade com duração de 4 a 7 dias. Primeira menstruação aos 12 anos, desde então com o padrão previamente referido. Nega início de atividade sexual. Nega antecedentes clínicos e cirúrgicos. Ao exame clínico apresenta IMC de 34, PA 120/70mmHg, FC 80bpm. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é o achado laboratorial compatível?
SOP: Oligo/anovulação + hiperandrogenismo (clínico/bioquímico) + ovários policísticos USG. LH elevado é achado comum.
A paciente apresenta oligomenorreia, acne e obesidade, um quadro clínico altamente sugestivo de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Na SOP, a elevação do LH é um achado laboratorial comum devido à alteração na pulsatilidade do GnRH, levando a um aumento da relação LH/FSH e contribuindo para o hiperandrogenismo ovariano.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por disfunção ovariana e hiperandrogenismo. Sua prevalência é significativa, tornando-a um tópico crucial para residentes, especialmente em ginecologia e endocrinologia. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são essenciais para prevenir complicações a longo prazo, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A fisiopatologia da SOP é complexa e multifatorial, envolvendo resistência à insulina, disfunção hipotalâmico-hipofisária e produção excessiva de androgênios pelos ovários. A elevação do LH, como visto na questão, é um marcador importante da disfunção hormonal, contribuindo para o ciclo vicioso de hiperandrogenismo e anovulação. A suspeita deve surgir em pacientes jovens com irregularidades menstruais, acne, hirsutismo e obesidade. O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas e prevenir complicações. Inclui mudanças no estilo de vida (dieta e exercício), contraceptivos orais para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, e sensibilizadores de insulina como a metformina. O prognóstico é bom com manejo adequado, mas a SOP exige acompanhamento contínuo devido ao risco de comorbidades.
Os critérios de Rotterdam para SOP incluem dois de três: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) ou bioquímico (testosterona elevada), e ovários policísticos à ultrassonografia.
Na SOP, a pulsatilidade do GnRH é alterada, levando a um aumento na frequência e amplitude dos pulsos de LH, o que resulta em níveis elevados de LH e uma relação LH/FSH aumentada, estimulando a produção de androgênios ovarianos.
As manifestações clínicas mais comuns da SOP incluem irregularidades menstruais (oligomenorreia ou amenorreia), sinais de hiperandrogenismo como hirsutismo e acne, obesidade e infertilidade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo