SOP e Critérios de Rotterdam: Diagnóstico e Fenótipos

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma paciente de 23 anos, nuligesta, procura atendimento ginecológico com queixa de irregularidade menstrual desde a menarca, ocorrendo apenas 3 a 4 ciclos por ano. Além disso, refere aumento progressivo de pelos em face, tórax e abdome inferior, além de acne persistente em dorso. Ao exame físico, apresenta IMC de 28 kg/m² e escore de Ferriman-Gallwey de 10. Trouxe exames laboratoriais que descartaram hiperprolactinemia, disfunções tireoidianas e hiperplasia adrenal congênita de início tardio (17-OH-progesterona normal). A ultrassonografia transvaginal revelou útero de volume normal e ovários com volumes de 7 cm³ e 8 cm³, contendo 6 e 9 folículos medindo entre 3 e 8 mm, respectivamente. Com base no caso clínico e nos Critérios de Rotterdam, a classificação diagnóstica correta é:

Alternativas

  1. A) Diagnóstico de Síndrome dos Ovários Policísticos, Fenótipo D (Não hiperandrogênico), pois a morfologia ovariana é o critério soberano.
  2. B) Diagnóstico de Síndrome dos Ovários Policísticos, Fenótipo C (Ovulatório), caracterizado por hiperandrogenismo e ciclos menstruais infrequentes.
  3. C) Ausência de diagnóstico de Síndrome dos Ovários Policísticos, visto que a morfologia ovariana e o volume glandular estão dentro da normalidade.
  4. D) Diagnóstico de Síndrome dos Ovários Policísticos, Fenótipo B (Hiperandrogenismo clínico + Disfunção ovulatória).

Pérola Clínica

SOP Fenótipo B = Hiperandrogenismo + Oligo/Anovulação (sem necessidade de USG alterada).

Resumo-Chave

O diagnóstico de SOP pelos critérios de Rotterdam exige 2 de 3: hiperandrogenismo, disfunção ovulatória ou morfologia ovariana policística.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, apresentando uma fisiopatologia complexa que envolve resistência à insulina e desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. O diagnóstico é de exclusão, sendo necessário descartar outras causas de hiperandrogenismo, como hiperplasia adrenal congênita e tumores virilizantes. Os Critérios de Rotterdam permitiram a identificação de quatro fenótipos principais: Fenótipo A (Completo: HA+DO+PCO), Fenótipo B (HA+DO), Fenótipo C (Ovulatório: HA+PCO) e Fenótipo D (Não-hiperandrogênico: DO+PCO). A identificação desses fenótipos auxilia na estratificação de risco metabólico e na personalização do tratamento, que pode variar desde mudanças no estilo de vida e perda de peso até o uso de anticoncepcionais orais, antiandrogênicos e sensibilizadores de insulina como a metformina.

Perguntas Frequentes

Quais são os Critérios de Rotterdam para SOP?

O diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) requer a presença de pelo menos dois dos três critérios de Rotterdam: 1) Oligo-ovulação ou anovulação, manifestada clinicamente por ciclos menstruais infrequentes ou amenorreia; 2) Sinais clínicos de hiperandrogenismo, como hirsutismo (escore de Ferriman-Gallwey ≥ 4-6), acne persistente ou alopecia, e/ou sinais bioquímicos (testosterona total ou livre elevada); 3) Morfologia de ovários policísticos à ultrassonografia, definida por ≥12 folículos de 2-9mm ou volume ovariano >10cm³ em pelo menos um dos ovários. É essencial que outras etiologias, como hiperplasia adrenal congênita, tumores secretores de andrógenos e hiperprolactinemia, sejam rigorosamente excluídas antes de confirmar a SOP.

O que define o Fenótipo B da SOP?

O Fenótipo B, também conhecido como SOP clássica não-policística, é caracterizado pela presença de hiperandrogenismo (clínico ou bioquímico) e disfunção ovulatória (oligo/anovulação), mas com morfologia ovariana normal à ultrassonografia. No caso clínico apresentado, a paciente possui hiperandrogenismo clínico (hirsutismo com Ferriman-Gallwey 10 e acne) e disfunção ovulatória (3 a 4 ciclos por ano), preenchendo os dois critérios necessários, apesar de sua ultrassonografia não mostrar o volume ou a contagem de folículos necessários para o critério de imagem. Portanto, ela se enquadra perfeitamente no Fenótipo B.

Como avaliar o hirsutismo clinicamente?

A avaliação clínica do hirsutismo é feita através do Escore de Ferriman-Gallwey modificado. Este sistema pontua o crescimento de pelos terminais em nove áreas dependentes de andrógenos (como lábio superior, queixo, tórax, abdome superior e inferior, braços, coxas e dorso). Cada área recebe uma pontuação de 0 a 4. No Brasil e em populações latinas, um escore total ≥ 4 a 6 é geralmente considerado indicativo de hirsutismo clínico. É uma ferramenta fundamental para diagnosticar o hiperandrogenismo clínico na ausência de exames laboratoriais alterados ou para complementar o quadro clínico da paciente com suspeita de SOP.

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