MedEvo Simulado — Prova 2026
Valentina, 21 anos, procura atendimento ginecológico com queixa de irregularidade menstrual desde a menarca, relatando ciclos que variam entre 45 e 90 dias. Além disso, apresenta queixa estética relacionada à pele e excesso de pelos. Ao exame físico, apresenta a condição dermatológica visualizada na imagem abaixo e índice de Ferriman-Gallwey de 10. Traz os seguintes exames laboratoriais: TSH 1,8 mUI/L, Prolactina 12 ng/mL e 17-hidroxiprogesterona 90 ng/dL. A ultrassonografia pélvica transvaginal, realizada no 3º dia de um ciclo induzido por progestagênio, revelou ovário direito com volume de 6 cm³ e 8 folículos antrais, e ovário esquerdo com volume de 7 cm³ e 9 folículos antrais. Com base nos critérios de Rotterdam e na classificação dos fenótipos da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), assinale a alternativa correta:
SOP = 2 de 3 (Disfunção Ovulatória, Hiperandrogenismo, USG policístico) + Exclusão de outras causas.
O diagnóstico de SOP pode ser firmado com hiperandrogenismo clínico e irregularidade menstrual (Fenótipo B), mesmo que a ultrassonografia ovariana seja normal.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma das endocrinopatias mais comuns em mulheres em idade reprodutiva. O diagnóstico baseia-se nos Critérios de Rotterdam (2003), que exigem a presença de pelo menos dois dos seguintes: 1) Oligo ou anovulação; 2) Hiperandrogenismo clínico ou laboratorial; 3) Morfologia de ovários policísticos à ultrassonografia. É fundamental excluir outras patologias que mimetizam a SOP, como hiperplasia adrenal congênita não clássica (avaliada pela 17-OHP), hiperprolactinemia e disfunções tireoidianas. A paciente apresenta irregularidade menstrual (ciclos de 45-90 dias) e hiperandrogenismo clínico (hirsutismo com Ferriman-Gallwey 10 e acne), preenchendo dois critérios. O fato de a ultrassonografia ser normal não invalida o diagnóstico, apenas classifica a paciente no Fenótipo B. Essa distinção fenotípica é importante para o prognóstico e manejo, pois fenótipos com hiperandrogenismo clínico tendem a apresentar maior resistência insulínica e riscos metabólicos a longo prazo.
O Fenótipo B da Síndrome dos Ovários Policísticos é caracterizado pela presença de hiperandrogenismo (clínico e/ou laboratorial) e disfunção ovulatória (geralmente manifestada como oligomenorreia ou amenorreia), mas com morfologia ovariana normal à ultrassonografia. Segundo os critérios de Rotterdam, a presença de dois dos três critérios principais é suficiente para o diagnóstico, tornando o Fenótipo B uma forma clássica e grave da síndrome, frequentemente associada a maior risco metabólico.
O hiperandrogenismo clínico é avaliado principalmente através da presença de hirsutismo, acne persistente e alopecia de padrão masculino. O hirsutismo é quantificado pela Escala de Ferriman-Gallwey modificada, que avalia o crescimento de pelos terminais em áreas dependentes de androgênios. No Brasil, um escore ≥ 4 a 6 costuma ser considerado positivo, dependendo da referência; na questão, o valor de 10 confirma claramente o hirsutismo clínico.
De acordo com as atualizações dos critérios de Rotterdam, a morfologia de ovários policísticos é definida pela presença de ≥ 12 a 20 folículos (dependendo da frequência do transdutor) medindo entre 2 e 9 mm em pelo menos um dos ovários, ou um volume ovariano > 10 cm³. No caso da paciente, o volume (6-7 cm³) e a contagem de folículos (8-9) estavam normais, o que exclui o critério ultrassonográfico, mas não o diagnóstico da síndrome.
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