ENARE/ENAMED — Prova 2025
Uma paciente de 23 anos tem queixa de irregularidade menstrual de longa data. Relata que, desde a primeira menstruação, tem intervalo de 50 a 60 dias entre os ciclos e períodos de amenorreia. No último ano, estava em final de faculdade e ganhou muito peso em função de estresse e sedentarismo. Ao exame, apresenta bom estado geral, IMC 31 kg/m², presença de acne em face e dorso e escurecimento de região de dobras.Frente a esse cenário, a principal hipótese é:
SOP → Oligo/amenorreia + hiperandrogenismo + ovários policísticos (USG) + exclusão outras causas.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum caracterizada por disfunção ovulatória (irregularidade menstrual), hiperandrogenismo (acne, hirsutismo) e morfologia ovariana policística. O ganho de peso e a acantose nigricans sugerem resistência à insulina, frequentemente associada à SOP e que agrava os sintomas.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10% da população feminina. Caracteriza-se por uma constelação de sintomas que incluem irregularidades menstruais, hiperandrogenismo e, frequentemente, infertilidade. Sua importância clínica reside não apenas nos sintomas reprodutivos e estéticos, mas também nas comorbidades metabólicas associadas. A fisiopatologia da SOP é complexa e multifatorial, envolvendo resistência à insulina, disfunção hipotalâmico-hipofisária e produção excessiva de andrógenos ovarianos e adrenais. O diagnóstico é feito pelos critérios de Rotterdam, que requerem a presença de dois dos três achados: oligo/anovulação, hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas. A paciente do caso apresenta oligomenorreia, acne e acantose nigricans (escurecimento de dobras), além de obesidade, todos achados sugestivos. O tratamento da SOP é individualizado e visa o manejo dos sintomas e das comorbidades. Inclui mudanças no estilo de vida (dieta e exercícios para perda de peso e melhora da resistência à insulina), contraceptivos orais para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, e metformina para resistência à insulina. O prognóstico a longo prazo envolve o risco aumentado de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e câncer de endométrio, tornando o manejo precoce e contínuo essencial.
Os critérios de Rotterdam incluem oligo/anovulação (irregularidade menstrual), hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras endocrinopatias.
O ganho de peso e a acantose nigricans são manifestações comuns da resistência à insulina, uma condição frequentemente associada à SOP que contribui para o hiperandrogenismo e a disfunção ovulatória.
É crucial excluir outras causas de hiperandrogenismo e irregularidade menstrual, como hiperplasia adrenal congênita não clássica, tumores produtores de andrógenos, hiperprolactinemia e disfunção tireoidiana.
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