SOP: Diagnóstico, Critérios e Manejo Terapêutico

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019

Enunciado

Paciente de 22 anos queixa-se de longos períodos de atrasos menstruais, desde a menarca. Refere também acne e aumento de pelos em mento e região lateral da face. Já havia procurado auxílio médico há vários anos, porém foi informada de que a irregularidade era normal da idade. Menarca aos 13 anos. DUM: há 2 meses, costuma ter fluxo intenso e sem cólica. Sexarca aos 17 anos, com uso irregular de preservativo. Ao exame: IMC: 25, acne moderada e pelos pouco aumentados em face e abdome inferior. Exame ginecológico normal. Assinale a melhor alternativa diante do caso exposto:

Alternativas

  1. A) A principal suspeita é de Hiperprolactinemia. Assim sendo, solicitaria ultrassonografia transvaginal, dosagem de Prolactina, e prescreveria drogas dopaminérgicas para tratamento clinico.
  2. B) A principal suspeita é de Síndrome de ovários policísticos (SOP). Assim sendo, solicitaria ultrassonografia transvaginal, dosagens hormonais para diagnóstico de exclusão, teste oral de tolerância à glicose para avaliar resistência insulínica, prescreveria anticoncepcional oral combinado com maior ação antiandrogênica.
  3. C) A principal suspeita é de sangramento uterino disfuncional. Solicitaria ultrassonografia transvaginal, dosagens hormonais, e prescreveria anticoncepcional oral combinado com maior ação antiandrogênica.
  4. D) A principal suspeita é de hiperplasia suprarrenal de forma tardia. Assim sendo solicitaria ultrassonografia transvaginal, dosagens hormonais, prescreveria corticoide sistêmico associado a anticoncepcional oral combinado com maior ação antiandrogênica. 
  5. E) A principal suspeita é de SOP. Assim sendo, solicitaria ultrassonografia transvaginal, dosagens hormonais para diagnóstico de exclusão, TTOG para avaliar resistência insulínica, prescreveria metformina, uma vez que atualmente a hiperinsulinemia possui papel de destaque na SOP.

Pérola Clínica

SOP → irregularidade menstrual + hiperandrogenismo clínico/laboratorial + ovários policísticos USG (critérios Rotterdam).

Resumo-Chave

A SOP é um diagnóstico de exclusão, exigindo a investigação de outras causas de hiperandrogenismo e disfunção menstrual. A avaliação da resistência insulínica é crucial, e o tratamento visa controlar os sintomas e prevenir complicações metabólicas a longo prazo.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por disfunção menstrual, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. Sua prevalência é significativa, tornando-a um tema recorrente em provas de residência e na prática clínica. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações metabólicas e cardiovasculares a longo prazo. O diagnóstico da SOP é de exclusão e baseia-se nos critérios de Rotterdam, que incluem a presença de oligo/anovulação, sinais clínicos ou laboratoriais de hiperandrogenismo e/ou ovários policísticos à ultrassonografia. É fundamental descartar outras causas de hiperandrogenismo, como hiperplasia adrenal congênita de início tardio, tumores secretores de andrógenos e hiperprolactinemia, através de dosagens hormonais específicas. A avaliação da resistência insulínica, frequentemente associada à SOP, é realizada por meio do Teste Oral de Tolerância à Glicose (TTOG). O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas e reduzir os riscos de complicações. Anticoncepcionais orais combinados com progestagênios de ação antiandrogênica são a primeira linha para o manejo do hiperandrogenismo e da irregularidade menstrual. A metformina pode ser indicada em casos de resistência insulínica e intolerância à glicose, especialmente em pacientes com IMC elevado. Mudanças no estilo de vida, incluindo dieta e exercícios, são fundamentais para todas as pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

Os critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas.

Por que é importante avaliar a resistência insulínica em pacientes com SOP?

A resistência insulínica é comum na SOP e contribui para o hiperandrogenismo e o risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, justificando a realização do TTOG.

Qual o papel dos anticoncepcionais orais combinados no tratamento da SOP?

Anticoncepcionais orais combinados com ação antiandrogênica são a primeira linha para o tratamento do hiperandrogenismo e da irregularidade menstrual, suprimindo a produção ovariana de andrógenos e regulando o ciclo.

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