SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2021
Mulher, 25 anos de idade, não menstrua há 9 meses. Refere que sempre teve o ciclo irregular, atrasando às vezes mais de 40 dias, mas nos últimos meses não tem menstruado. Vem notando maior oleosidade na pele, com acne, e surgimento de pêlos grossos no abdome. Refere que ganhou cerca de sete quilos no último ano, pois vem comendo muito carboidrato e parou de fazer atividade física. IMC: 30Kg/m². Está tentando engravidar há 1 ano, sem sucesso. Pelo atraso menstrual sempre faz teste de gravidez, porém o resultado é sempre negativo.Diante da principal suspeita diagnóstica, indique os resultados esperados dos exames laboratoriais.
SOP → ↑LH e FSH normal/↓ → Relação LH:FSH > 2:1 + Hiperandrogenismo clínico.
A inversão da relação LH/FSH ocorre devido ao aumento da frequência de pulsos de GnRH, favorecendo a secreção de LH em detrimento do FSH na SOP.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva. Sua fisiopatologia envolve uma disfunção neuroendócrina complexa, caracterizada pelo aumento da secreção de LH e resistência insulínica periférica. O aumento do LH estimula a hiperplasia das células da teca e a produção excessiva de androgênios, o que prejudica a maturação folicular e leva à anovulação. Clinicamente, a SOP manifesta-se por irregularidade menstrual (oligomenorreia ou amenorreia), sinais de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo, alopecia) e, frequentemente, obesidade central. O diagnóstico diferencial é fundamental para excluir outras causas de hiperandrogenismo, como a hiperplasia adrenal congênita de início tardio, tumores virilizantes e síndrome de Cushing, garantindo o manejo adequado da infertilidade e dos riscos metabólicos associados.
Na SOP, há um aumento na frequência dos pulsos de GnRH hipotalâmico, o que estimula preferencialmente a produção de LH pelas células gonadotróficas da hipófise. Enquanto isso, a produção de FSH permanece normal ou levemente reduzida, resultando na clássica inversão da relação LH/FSH, que frequentemente supera 2:1.
Não, a relação LH/FSH invertida é um achado laboratorial clássico e auxilia na suspeita clínica, mas não faz parte dos Critérios de Rotterdam. O diagnóstico de SOP exige a presença de pelo menos 2 de 3 critérios: anovulação/oligomenorreia, hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e morfologia de ovários policísticos ao ultrassom.
A hiperinsulinemia compensatória, decorrente da resistência insulínica, atua sinergicamente com o LH para estimular as células da teca a produzirem mais androgênios. Além disso, a insulina reduz a produção hepática de SHBG, aumentando a fração livre de testosterona circulante, o que agrava o quadro de hiperandrogenismo.
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