SOP: Manejo do Hiperandrogenismo e Irregularidade Menstrual

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 22 anos, queixa-se de longos períodos de atraso menstrual, chegando até a 3 meses, desde a menarca. Refere também acne e aumento de pelos em mento e região lateral da face. Já havia procurado auxílio médico há vários anos, porém foi informada de que a irregularidade era normal da idade. Menarca aos 13 anos. DUM: há 2 meses, costuma ter fluxo intenso e sem cólica. Sexarca aos 17 anos, com uso irregular de condom. Ao exame: IMC: 24, acne moderada e pelos pouco aumentados em face e abdome inferior. Exame ginecológico normal. A melhor conduta para esta paciente, diante da suspeita clínica seria:

Alternativas

  1. A) Prescrição de metformina 1500mg/dia, tendo em vista evitar complicações futuras decorrentes da síndrome metabólica.
  2. B) Prescrição de progesterona contínua para proteção endometrial, anticoncepção e preservação do futuro reprodutivo
  3. C) Prescrição de anticoncepcional oral contínuo com etinilestradiol + acetato de ciproterona para regularização dos ciclos, proteção endometrial, e melhora do hiperandrogenismo.
  4. D) Prescrição de Flutamida para tratamento dos sinais de hiperandrogenismo, que trazem as piores sequelas físicas e psicológicas para estas pacientes.
  5. E) Orientar inicialmente a mudança no estilo de vida com ênfase na perda de peso e sem tratamento medicamentoso, a princípio.

Pérola Clínica

SOP: oligomenorreia + hiperandrogenismo clínico/laboratorial + ovários policísticos USG. Tratamento inicial → ACO combinado.

Resumo-Chave

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que se manifesta com irregularidade menstrual e sinais de hiperandrogenismo. O tratamento com anticoncepcional oral combinado é a primeira linha para regularizar ciclos, proteger o endométrio e melhorar os sintomas androgênicos.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma das endocrinopatias mais comuns em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10% delas. Caracteriza-se por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. É uma condição de grande importância clínica devido ao seu impacto na fertilidade, na qualidade de vida (sintomas estéticos) e no risco de comorbidades metabólicas e cardiovasculares. A fisiopatologia da SOP envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais, resultando em resistência à insulina, hiperinsulinemia compensatória e aumento da produção de androgênios ovarianos e adrenais. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Rotterdam, e requer a exclusão de outras causas de hiperandrogenismo. A suspeita deve surgir em pacientes jovens com irregularidade menstrual persistente desde a menarca, acompanhada de acne, hirsutismo ou alopecia androgênica. O tratamento da SOP é individualizado e visa aliviar os sintomas e prevenir complicações. Para pacientes com irregularidade menstrual e hiperandrogenismo, o anticoncepcional oral combinado é a terapia de primeira linha, pois regula os ciclos, oferece proteção endometrial e melhora os sinais de hiperandrogenismo. A perda de peso é fundamental para pacientes com sobrepeso/obesidade, e a metformina pode ser considerada em casos de resistência à insulina ou intolerância à glicose, mas não substitui o ACO no manejo inicial dos sintomas principais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

O diagnóstico de SOP é feito pelos critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas.

Por que o anticoncepcional oral combinado é a melhor conduta inicial para SOP?

O anticoncepcional oral combinado é a primeira linha de tratamento para SOP porque regula os ciclos menstruais, protege o endométrio da hiperplasia devido à anovulação crônica e melhora os sintomas de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo) ao suprimir a produção de androgênios ovarianos e aumentar a SHBG.

Quais são as complicações a longo prazo da SOP não tratada?

As complicações a longo prazo da SOP incluem infertilidade, risco aumentado de diabetes tipo 2, dislipidemia, doenças cardiovasculares e hiperplasia endometrial com risco de câncer de endométrio devido à exposição prolongada a estrogênio sem oposição de progesterona.

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