UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020
Jovem de 18 anos queixa-se de amenorréia. Nega coitarca. Exame físico: observa-se pele acneica, hirsutismo e presença de acantose nigricante. Ultrassonografia pélvica evidencia ovários de volume aumentado, ambos maiores que 10 mL, o ovário esquerdo 13 microcistos de até 9 mm de diâmetro e o direito com 14 microcistos de até 9 mm de diâmetro. Com base no quadro clínico é correto afirmar que:
SOP: amenorreia + hiperandrogenismo + ovários policísticos USG. Excluir outras causas antes do diagnóstico.
O diagnóstico de SOP é de exclusão. Embora a paciente apresente critérios clínicos e ultrassonográficos clássicos (amenorreia, hiperandrogenismo, ovários policísticos), é fundamental afastar outras condições que mimetizam a SOP, como hiperplasia adrenal congênita não clássica, tumores secretores de androgênios ou disfunção tireoidiana.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia complexa e heterogênea, sendo a causa mais comum de anovulação crônica e hiperandrogenismo em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10% delas. Sua importância clínica reside nas manifestações reprodutivas (irregularidades menstruais, infertilidade), dermatológicas (hirsutismo, acne, alopecia) e metabólicas (resistência insulínica, obesidade, risco aumentado de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares). A fisiopatologia da SOP envolve uma interação complexa de fatores genéticos e ambientais, resultando em disfunção ovariana, hiperandrogenismo e resistência insulínica. O diagnóstico é feito pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de dois dos três seguintes: oligo/anovulação, hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e ovários policísticos à ultrassonografia. É crucial, no entanto, que o diagnóstico seja de exclusão, afastando outras condições como hiperplasia adrenal congênita não clássica, tumores virilizantes, hiperprolactinemia, disfunção tireoidiana e síndrome de Cushing. O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas e reduzir os riscos a longo prazo. Inclui mudanças no estilo de vida (dieta e exercício), anticoncepcionais orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, antiandrogênios (como a ciproterona ou espironolactona) para hirsutismo severo, e sensibilizadores de insulina (como a metformina) para a resistência insulínica. O prognóstico é bom com manejo adequado, mas a vigilância para complicações metabólicas é essencial.
Os critérios de Rotterdam exigem a presença de pelo menos dois dos três: oligo/anovulação, sinais clínicos/bioquímicos de hiperandrogenismo e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras etiologias.
É crucial porque condições como hiperplasia adrenal congênita não clássica, tumores secretores de androgênios ou disfunção tireoidiana podem apresentar sintomas semelhantes à SOP, mas exigem tratamentos específicos e diferentes.
Sinais clínicos de resistência insulínica incluem acantose nigricante (escurecimento e espessamento da pele em dobras), obesidade central e história familiar de diabetes tipo 2, sendo fatores importantes na fisiopatologia da SOP.
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