Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) afeta em torno de 10% das mulheres em idade reprodutiva, e é a principal causa de infertilidade por anovulação.Assinale a alternativa que demonstra como é feito o diagnóstico da SOP.
SOP = 2 de 3: Oligo/anovulação + Hiperandrogenismo + Ovários policísticos (USG).
O diagnóstico da SOP é clínico-laboratorial baseado nos Critérios de Rotterdam, exigindo a exclusão de outras causas de hiperandrogenismo como hiperplasia adrenal congênita.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um estado de anovulação crônica e hiperandrogenismo. A fisiopatologia envolve uma desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, com aumento da frequência de pulsos do GnRH, favorecendo a secreção de LH sobre o FSH, o que estimula a produção excessiva de androgênios pelas células da teca ovariana. Clinicamente, a SOP apresenta um espectro variado, desde mulheres com ciclos regulares e apenas sinais de hiperandrogenismo até casos clássicos de amenorreia e obesidade. O manejo deve ser individualizado, focando na queixa principal da paciente (infertilidade, hirsutismo ou irregularidade menstrual) e na prevenção de complicações a longo prazo, como diabetes tipo 2, síndrome metabólica e câncer de endométrio devido à exposição estrogênica sem oposição da progesterona.
O diagnóstico de SOP requer a presença de pelo menos dois dos três critérios seguintes: 1) Oligo-ovulação ou anovulação, manifestada geralmente por irregularidade menstrual; 2) Sinais clínicos de hiperandrogenismo (como hirsutismo, acne e alopecia) ou evidência bioquímica (testosterona elevada); 3) Imagem ultrassonográfica demonstrando ovários policísticos (12 ou mais folículos medindo 2-9mm ou volume ovariano > 10cm³). É fundamental excluir outras patologias que mimetizam o quadro, como tumores virilizantes e disfunções tireoidianas.
Embora a resistência insulínica e a hiperinsulinemia compensatória desempenhem um papel fisiopatológico central na SOP e estejam frequentemente associadas à obesidade e ao risco metabólico, elas não fazem parte dos critérios diagnósticos oficiais de Rotterdam. O diagnóstico foca na tríade de disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana. Contudo, a avaliação metabólica com glicemia de jejum ou teste de tolerância à glicose é recomendada após o diagnóstico.
O diagnóstico de SOP é de exclusão. Deve-se investigar e descartar hiperplasia adrenal congênita de início tardio (medindo 17-OH progesterona), tumores secretores de androgênios (especialmente se o início for súbito e a virilização rápida), síndrome de Cushing e hiperprolactinemia. Exames laboratoriais como TSH, Prolactina e FSH também auxiliam na exclusão de outras causas de amenorreia ou irregularidade menstrual antes de firmar o diagnóstico de SOP.
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