Síndrome dos Ovários Policísticos: Diagnóstico e Fenótipos

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 21 anos de idade, nuligesta, refere menstruações irregulares, sem cólica, com intervalos bimestrais e com duração de 5 dias desde a menarca. Também refere acne e obesidade há 6 anos e não iniciou atividade sexual. Procurou a UBS e foi solicitada uma ultrassonografia que mostrou útero sem alterações e ovários com cisto simples à direita medindo 18 mm e ovário esquerdo normal. Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Síndrome dos ovários policísticos fenótipo A.
  2. B) Síndrome do folículo luteinizado não roto.
  3. C) Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hause.
  4. D) Síndrome dos ovários policísticos fenótipo B.

Pérola Clínica

Mulher jovem com irregularidade menstrual + hiperandrogenismo (acne/obesidade) + ovários não policísticos na USG → SOP Fenótipo B.

Resumo-Chave

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é diagnosticada pelos critérios de Rotterdam (2 de 3: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico/laboratorial, ovários policísticos na USG). O fenótipo B da SOP inclui oligo/anovulação e hiperandrogenismo, mas sem a morfologia ovariana policística na ultrassonografia, como no caso descrito.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um distúrbio endócrino complexo e heterogêneo, sendo a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10% delas. É uma das principais causas de infertilidade anovulatória e está associada a diversas comorbidades metabólicas e cardiovasculares. O diagnóstico é feito pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes achados: oligo-ovulação ou anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne, alopecia) ou laboratorial, e ovários com morfologia policística na ultrassonografia. A fisiopatologia da SOP é multifatorial, envolvendo resistência à insulina, hiperandrogenismo ovariano e adrenal, e disfunção hipotalâmico-hipofisária. A apresentação clínica varia amplamente, e a SOP é classificada em diferentes fenótipos com base na combinação dos critérios de Rotterdam. O fenótipo B, como no caso descrito, inclui oligo-ovulação/anovulação e hiperandrogenismo, mas sem a morfologia ovariana policística na ultrassonografia, o que ressalta que a USG não é mandatória para o diagnóstico se os outros dois critérios estiverem presentes. O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas, prevenir complicações e abordar a infertilidade, se desejada. Inclui modificações no estilo de vida (dieta e exercícios para obesidade e resistência à insulina), contraceptivos orais para irregularidade menstrual e hiperandrogenismo, antiandrogênios para hirsutismo e acne, e indutores de ovulação para infertilidade. O reconhecimento dos diferentes fenótipos é crucial para um manejo adequado e personalizado.

Perguntas Frequentes

Quais são os três critérios de Rotterdam para o diagnóstico de SOP?

Os critérios de Rotterdam são: 1) Oligo-ovulação ou anovulação (menstruações irregulares ou ausentes); 2) Sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo, alopecia androgênica, testosterona elevada); 3) Ovários com morfologia policística na ultrassonografia.

O que caracteriza o fenótipo B da Síndrome dos Ovários Policísticos?

O fenótipo B da SOP é caracterizado pela presença de oligo-ovulação/anovulação e hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, mas sem a morfologia de ovários policísticos na ultrassonografia.

Qual a importância da obesidade e acne no diagnóstico da SOP?

A obesidade e a acne são manifestações clínicas comuns do hiperandrogenismo e da resistência à insulina, ambos frequentemente associados à SOP. Elas são importantes para o diagnóstico clínico do hiperandrogenismo e para guiar o manejo do estilo de vida.

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