SOP: Diagnóstico pelos Critérios de Roterdã e Exclusão

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente de 25 anos de idade tem ciclos menstruais irregulares com intervalos maiores que 30 dias e duração de oito dias, sem uso de anticoncepcional. Apresenta índice de Ferriman de 9. No que se refere a esse caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de síndrome dos ovários micropolicísticos pode ser realizado de acordo com os critérios de Roterdã, desde que sejam descartados os outros diagnósticos, como alterações tireoidianas e a forma tardia da deficiência de 21 hidroxilase.
  2. B) O tratamento da síndrome dos ovários micropolicísticos deve incluir, em todos dos casos, o uso de contraceptivos orais combinados com progesterona antiandrogênica, como a ciproterona.
  3. C) O uso da espironolactona pode ser uma opção nas pacientes que desejam a diminuição dos sintomas androgênicos, como acne e pelos, especialmente naquelas com desejo reprodutivo.
  4. D) O uso dos hipoglicemiantes orais, como a metformina, deve ser uma opção para as pacientes, mesmo sem resistência insulínica observada.

Pérola Clínica

SOP: 2 de 3 critérios de Roterdã (hiperandrogenismo, oligo/anovulação, ovários policísticos USG) + exclusão de outras causas.

Resumo-Chave

O diagnóstico da SOP é de exclusão, exigindo a investigação e descarte de outras condições que mimetizam seus sintomas, como disfunções tireoidianas e hiperplasia adrenal congênita de início tardio, antes de confirmar o quadro.

Contexto Educacional

A Síndrome dos Ovários Micropolicísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por disfunção ovulatória, hiperandrogenismo e morfologia ovariana policística. Sua prevalência varia, mas é uma das principais causas de infertilidade e irregularidade menstrual. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações metabólicas e cardiovasculares a longo prazo. O diagnóstico da SOP é baseado nos Critérios de Roterdã (2003), que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação (ciclos menstruais irregulares ou ausentes), sinais clínicos (hirsutismo, acne, alopecia) ou bioquímicos (testosterona elevada) de hiperandrogenismo, e ovários com morfologia policística na ultrassonografia (≥12 folículos de 2-9mm em cada ovário e/ou volume ovariano >10mL). É fundamental que outros diagnósticos, como disfunções tireoidianas, hiperprolactinemia e hiperplasia adrenal congênita de início tardio (deficiência de 21-hidroxilase), sejam excluídos antes de confirmar a SOP. O tratamento da SOP é individualizado e visa aliviar os sintomas e prevenir complicações. Inclui modificações no estilo de vida (dieta e exercício), contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e tratar o hiperandrogenismo, antiandrogênicos como espironolactona para hirsutismo e acne, e sensibilizadores de insulina como metformina, especialmente em pacientes com resistência insulínica ou intolerância à glicose. Para pacientes com desejo reprodutivo, indutores da ovulação podem ser utilizados.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Roterdã para o diagnóstico de SOP?

Os critérios de Roterdã exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo ou anovulação, sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo, e ovários com morfologia policística na ultrassonografia.

Por que é importante descartar outros diagnósticos antes de confirmar a SOP?

É crucial descartar outras condições como disfunções tireoidianas, hiperprolactinemia, tumores secretores de andrógenos e hiperplasia adrenal congênita não clássica, pois elas podem apresentar sintomas semelhantes à SOP e exigem tratamentos específicos.

Quais são os principais sinais de hiperandrogenismo na SOP?

Os principais sinais clínicos de hiperandrogenismo incluem hirsutismo (avaliado pelo índice de Ferriman-Gallwey), acne e alopecia androgênica. Bioquimicamente, pode-se observar aumento da testosterona livre ou total.

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