UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2025
Paciente, 26 anos de idade, procura a UBS referindo menstruações irregulares com intervalos prolongados entre os ciclos desde a menarca, aos 14 anos de idade. Ela diz que, nos últimos anos, apresentou ganho de peso, além de aumento dos pelos na face e no abdômen. A paciente mostra sinais de hirsutismo e um aumento da circunferência abdominal (IMC de 31 kg/m²). Os exames laboratoriais mostram um aumento da testosterona total e da insulina em jejum. As imagens da ultrassonografia transvaginal visualizaram vários cistos pequenos na periferia dos ovários. Em relação às condições laboratoriais e clínicas, considere as afirmativas a seguirI. O hirsutismo e a obesidade abdominal aumentam o risco de resistência à insulina e das complicações metabólicas na SOP (Síndrome dos Ovários Micropolicísticos).II. O manejo da SOP deve incluir mudanças no estilo de vida para reduzir a resistência à insulina e regular os ciclos menstruais.III. O tratamento inicial para a SOP deve focar na indução da ovulação e no tratamento da infertilidade, mesmo que a paciente não esteja tentando engravidar.IV. A ultrassonografia mostrando ovários micropolicísticos é suficiente para confirmar o diagnóstico de SOP.Assinale a alternativa correta.
SOP: diagnóstico pelos Critérios de Rotterdam (2 de 3); manejo inicial foca em estilo de vida e resistência à insulina.
A Síndrome dos Ovários Micropolicísticos (SOP) é uma endocrinopatia complexa que envolve hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística. O hirsutismo e a obesidade abdominal são manifestações que agravam a resistência à insulina, um pilar fisiopatológico da SOP, e aumentam o risco de complicações metabólicas.
A Síndrome dos Ovários Micropolicísticos (SOP) é uma das endocrinopatias mais comuns em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10% dessa população. Caracteriza-se por uma constelação de sintomas que incluem irregularidades menstruais (oligo/anovulação), hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia) e morfologia ovariana policística à ultrassonografia. A SOP é uma condição de grande importância clínica devido às suas implicações reprodutivas, metabólicas e psicossociais. A fisiopatologia da SOP é multifatorial, com a resistência à insulina desempenhando um papel central. A hiperinsulinemia compensatória estimula a produção ovariana de androgênios e diminui a síntese hepática de SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), aumentando a testosterona livre. O diagnóstico é feito pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de dois dos três achados mencionados, após exclusão de outras causas de hiperandrogenismo ou disfunção menstrual. A ultrassonografia de ovários policísticos isoladamente não é suficiente para o diagnóstico. O manejo da SOP é individualizado e focado nos sintomas predominantes e nos objetivos da paciente. As mudanças no estilo de vida, incluindo dieta saudável e exercícios físicos, são a primeira linha de tratamento, visando reduzir a resistência à insulina e promover a perda de peso. Para irregularidades menstruais e hiperandrogenismo, contraceptivos orais combinados são frequentemente utilizados. Para infertilidade, a indução da ovulação é uma opção. O tratamento deve abordar as complicações metabólicas, como diabetes tipo 2 e dislipidemia, e reduzir o risco cardiovascular a longo prazo.
O diagnóstico de SOP é feito pelos Critérios de Rotterdam, que exigem a presença de pelo menos dois dos três seguintes: oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) ou laboratorial (testosterona elevada), e ovários policísticos à ultrassonografia, após exclusão de outras causas.
O hirsutismo e a obesidade abdominal são manifestações comuns da SOP que exacerbam a resistência à insulina. A resistência à insulina, por sua vez, aumenta a produção de androgênios, criando um ciclo vicioso que agrava os sintomas e o risco de complicações metabólicas.
As mudanças no estilo de vida, como dieta e exercícios, são a base do tratamento da SOP. Elas visam reduzir a resistência à insulina, promover a perda de peso, regular os ciclos menstruais e melhorar os sintomas de hiperandrogenismo, diminuindo o risco de complicações a longo prazo.
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