SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Um recém-nascido prematuro de 30 semanas de gestação, com Apgar 7 (1 minuto) e 8 (5 minutos) e história obstétrica de nascimento em hospital de referência, com cuidados neonatais adequados, está sendo monitorado pela neonatologista para possíveis complicações. Considerando esse caso clínico, qual é a principal preocupação quanto à função respiratória em um recém-nascido prematuro com 30 semanas de gestação?
Prematuro < 34 semanas + Desconforto respiratório precoce → Pensar em Deficiência de Surfactante (SDR).
A Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) é a principal causa de morbidade respiratória em prematuros, decorrente da imaturidade pulmonar e deficiência quantitativa de surfactante.
A maturidade pulmonar é um dos últimos marcos do desenvolvimento fetal. Um RN de 30 semanas encontra-se na fase sacular do desenvolvimento pulmonar, onde a barreira hemato-gasosa está se afinando, mas a reserva de surfactante é mínima. Além da SDR, esses pacientes têm risco aumentado de Apneia da Prematuridade devido à imaturidade do centro respiratório no tronco cerebral. O cuidado neonatal moderno busca minimizar a ventilação mecânica invasiva para prevenir a Displasia Broncopulmonar, uma sequela crônica da prematuridade.
A SDR, anteriormente chamada de Doença da Membrana Hialina, é causada principalmente pela deficiência de surfactante pulmonar, uma substância produzida pelos pneumócitos tipo II que reduz a tensão superficial nos alvéolos. Em prematuros (especialmente < 34 semanas), a produção é insuficiente, levando ao colapso alveolar (atelectasia), redução da complacência pulmonar, alteração da relação ventilação-perfusão e hipoxemia progressiva.
A principal estratégia de prevenção é a administração de corticoide antenatal (como betametasona ou dexametasona) para gestantes em risco de parto prematuro entre 24 e 34 semanas. O corticoide acelera a maturação pulmonar fetal e a produção de surfactante, reduzindo significativamente a incidência e a gravidade da SDR, além de diminuir o risco de hemorragia intraventricular e enterocolite necrotizante no recém-nascido.
O manejo atual foca na estabilização precoce com suporte respiratório não invasivo, preferencialmente o CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) em sala de parto, para manter o recrutamento alveolar. Se o recém-nascido apresentar falha no suporte não invasivo ou necessidade de altas frações de oxigênio, a administração intratraqueal de surfactante exógeno está indicada, muitas vezes seguida de extubação rápida (técnica INSURE).
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