MedEvo Simulado — Prova 2026
Recém-nascido de Maria, sexo masculino, nasce com idade gestacional de 30 semanas e 4 dias, pesando 1.250g. O parto foi cesáreo, indicado por pré-eclâmpsia grave materna com sinais de iminência, não havendo tempo para a administração de corticoterapia antenatal. O índice de Apgar foi de 7 no primeiro minuto e 8 no quinto minuto. Na primeira hora de vida, o neonato passou a apresentar gemência audível sem estetoscópio, batimento de asa de nariz e retrações subcostais e intercostais moderadas. Foi prontamente instalado CPAP nasal com pressão de 6 cmH2O e Fração Inspirada de Oxigênio (FiO2) inicial de 30%. Após 40 minutos de observação em unidade de terapia intensiva neonatal, o paciente mantém sinais de desconforto respiratório (Boletim de Silverman-Andersen igual a 6), saturação de oxigênio de 89% e a FiO2 precisou ser escalonada para 45% para manter a saturação dentro do alvo terapêutico (91-95%). Com base na evolução clínica e nas recomendações atuais para o manejo da Síndrome do Desconforto Respiratório, a conduta mais adequada neste momento é:
FiO2 > 30% em CPAP no prematuro com SDR → Indicação de Surfactante (preferencialmente LISA/MIST).
A falha do CPAP (necessidade de FiO2 > 30% para manter saturação alvo) em prematuros com SDR indica a necessidade de reposição de surfactante para reduzir a mortalidade e displasia broncopulmonar.
A Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR), ou Doença da Membrana Hialina, é causada pela deficiência de surfactante em pulmões imaturos, levando ao colapso alveolar e prejuízo na troca gasosa. O manejo moderno prioriza a estabilização inicial com CPAP nasal para evitar a intubação. No entanto, a persistência do desconforto ou a necessidade de FiO2 > 30% sinaliza que a tensão superficial alveolar não está sendo vencida apenas pela pressão positiva, exigindo a reposição de surfactante. A transição para métodos minimamente invasivos reflete a tendência de 'gentle ventilation', focada em proteger o pulmão em desenvolvimento de traumas mecânicos e volutraumas.
Atualmente, a recomendação principal para administração de surfactante em prematuros com Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) é a falha do suporte não invasivo inicial. Define-se falha do CPAP quando o neonato necessita de uma Fração Inspirada de Oxigênio (FiO2) superior a 30% para manter a saturação de oxigênio dentro do alvo terapêutico (geralmente 91-95%) ou quando apresenta sinais de desconforto respiratório moderado a grave (Silverman-Andersen elevado). O tratamento precoce, idealmente nas primeiras horas de vida, está associado a melhores desfechos clínicos.
LISA (Less Invasive Surfactant Administration) e MIST (Minimally Invasive Surfactant Therapy) são técnicas que permitem a administração de surfactante exógeno em neonatos que mantêm respiração espontânea em CPAP nasal, sem a necessidade de intubação orotraqueal formal ou ventilação mecânica prolongada. Utiliza-se um cateter fino inserido na traqueia sob visualização direta. Essas técnicas visam reduzir a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI) e a incidência de displasia broncopulmonar, sendo preferíveis em centros com experiência técnica.
O corticoide antenatal é uma das intervenções mais eficazes na perinatologia. Ele acelera a maturação pulmonar fetal, estimulando a produção de surfactante endógeno e melhorando a complacência pulmonar. Sua administração reduz significativamente a incidência de SDR, hemorragia intraventricular e enterocolite necrotizante em prematuros. No caso clínico apresentado, a ausência de corticoterapia antenatal devido à urgência do parto aumentou o risco de SDR grave, justificando a intervenção precoce com surfactante após a falha do CPAP.
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