UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Homem, 66a, internado há 24h na Unidade de Terapia Intensiva com diagnóstico de insuficiência respiratória aguda e pneumonia viral. Na admissão hospitalar, relatava febre e dispneia há 72h. Na última hora, foi submetido a entubação orotraqueal, iniciado sedoanalgesia contínua e ventilação mecânica invasiva. Parâmetros ventilatórios iniciais: ventilação controlada a pressão; volume corrente=6 ml/kg de peso predito; frequência respiratória=18irpm; PEEP=5cmH₂O e fração inspirada de oxigênio=0,5. Após uma hora de ventilação nestes parâmetros: gasometria arterial: PaO₂=100mmHg; radiograma do tórax (Imagem Q13).O DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO É:
Paciente em VM por pneumonia viral + IRA grave → suspeitar de SDRA, especialmente se PaO2/FiO2 < 300.
O quadro de insuficiência respiratória aguda grave em paciente com pneumonia viral, necessitando de ventilação mecânica invasiva e FiO2 elevada para manter oxigenação, é altamente sugestivo de Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA). A SDRA é uma complicação comum de pneumonias graves, caracterizada por hipoxemia refratária e infiltrados pulmonares bilaterais.
A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) é uma condição grave caracterizada por inflamação pulmonar difusa, aumento da permeabilidade capilar e edema pulmonar não cardiogênico, resultando em hipoxemia refratária e diminuição da complacência pulmonar. É uma complicação comum de diversas condições clínicas, incluindo infecções virais graves como a pneumonia viral descrita no caso. A SDRA representa uma das principais causas de insuficiência respiratória aguda em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). O diagnóstico de SDRA é clínico e radiológico, baseado nos critérios de Berlim, que incluem início agudo de hipoxemia, infiltrados pulmonares bilaterais na imagem torácica (não explicados por outras causas) e ausência de evidência de insuficiência cardíaca como causa principal do edema. A relação PaO2/FiO2 é um indicador chave da gravidade da hipoxemia. O manejo da SDRA envolve principalmente suporte ventilatório mecânico protetor, com baixo volume corrente e PEEP otimizada, além do tratamento da causa subjacente. Para residentes, é fundamental reconhecer precocemente a SDRA em pacientes com insuficiência respiratória aguda, especialmente em contextos de infecção grave. A compreensão dos princípios da ventilação mecânica protetora, o monitoramento da oxigenação e a identificação de complicações são habilidades essenciais para otimizar o cuidado e melhorar o prognóstico desses pacientes críticos.
Os critérios de Berlim para SDRA incluem início agudo (em 7 dias), infiltrados bilaterais na radiografia/tomografia não explicados por derrame/atelectasia/nódulos, edema pulmonar não de origem cardíaca e hipoxemia (PaO2/FiO2 < 300 com PEEP ≥ 5 cmH2O para SDRA leve).
A ventilação mecânica protetora é crucial na SDRA para evitar lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI). Ela se baseia no uso de baixo volume corrente (6 mL/kg de peso predito), pressão de platô limitada (< 30 cmH2O) e PEEP otimizada para manter o alvéolo aberto.
As principais causas de SDRA são pneumonia (viral, bacteriana), sepse, aspiração de conteúdo gástrico, trauma grave, pancreatite aguda, transfusão maciça e inalação de fumaça.
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