SDRA: Ventilação Mecânica Protetora na UTI

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Durante seu plantão na unidade de terapia intensiva, você está avaliando um homem de 36 anos de idade, internado na unidade em virtude de uma pancreatite aguda grave. Ele evoluiu com desconforto respiratório importante, sendo feita intubação orotraqueal. No momento, encontra-se em ventilação mecânica invasiva, em uso de analgesia, sedação e bloqueador neuromuscular contínuo, devido à hipótese de Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA). Quais são os parâmetros ventilatórios que devem ser utilizados para este paciente neste momento?

Alternativas

  1. A) Volume corrente < 6 ml/kg, PEEP titulado, pressão de platô < 30.
  2. B) Volume corrente > 8 ml/kg, PEEP zerado, pressão de platô > 30.
  3. C) Volume corrente < 6 ml/kg, PEEP zerado, pressão de platô < 30.
  4. D) Volume corrente > 8 ml/kg, PEEP titulado, pressão de platô < 30.

Pérola Clínica

SDRA → Ventilação protetora: VC < 6 mL/kg, PEEP titulado, Pressão de platô < 30 cmH2O.

Resumo-Chave

Na SDRA, a ventilação mecânica visa minimizar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI). A estratégia protetora pulmonar com baixo volume corrente, PEEP otimizado e controle da pressão de platô é fundamental para melhorar o prognóstico e reduzir a mortalidade.

Contexto Educacional

A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) é uma condição grave caracterizada por inflamação pulmonar difusa, aumento da permeabilidade capilar e edema pulmonar não cardiogênico, levando à hipoxemia refratária. A ventilação mecânica é o pilar do suporte, mas deve ser cuidadosamente gerenciada para evitar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI). A estratégia de ventilação protetora pulmonar é a pedra angular do manejo da SDRA. Ela se baseia em três princípios principais: uso de baixo volume corrente (geralmente 4-6 mL/kg de peso predito), aplicação de PEEP (Pressão Expiratória Final Positiva) para manter os alvéolos abertos e evitar o colapso, e manutenção da pressão de platô abaixo de 30 cmH2O para prevenir a hiperdistensão alveolar. Para residentes em terapia intensiva, dominar esses parâmetros é crucial. A correta aplicação da ventilação protetora melhora a sobrevida e reduz as complicações em pacientes com SDRA, como o caso descrito, que desenvolveu a síndrome secundária a uma pancreatite aguda grave. O monitoramento contínuo e o ajuste fino dos parâmetros são essenciais para otimizar a ventilação e proteger o pulmão.

Perguntas Frequentes

Qual o objetivo da ventilação mecânica protetora na SDRA?

O objetivo da ventilação mecânica protetora na SDRA é minimizar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI), evitando o barotrauma, volutrauma e atelectrauma, através do uso de baixo volume corrente e PEEP otimizado.

Como titular o PEEP em pacientes com SDRA?

A titulação do PEEP em SDRA pode ser feita por meio de curvas de pressão-volume, tabelas PEEP/FiO2 (protocolo ARDSNet) ou guiada por parâmetros como complacência pulmonar e oxigenação, buscando o PEEP ideal que mantenha o pulmão aberto sem hiperdistensão.

Por que a pressão de platô deve ser mantida abaixo de 30 cmH2O na SDRA?

A pressão de platô reflete a pressão alveolar ao final da inspiração e deve ser mantida abaixo de 30 cmH2O para evitar a hiperdistensão alveolar e o consequente barotrauma e volutrauma, que podem agravar a lesão pulmonar na SDRA.

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