PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2020
Homem de 38 anos, 70 Kg, internado há 7 dias para tratamento de pancreatite aguda. Há 1 dia, apresentou piora do estado geral, dispneia, taquicardia, evoluindo com insuficiência respiratória e necessidade de intubação orotraqueal e foi encaminhado à UTI. Parâmetros da ventilação mecânica: FiO2 = 60%, VC = 410 mL, FR = 13 rpm, PEEP = 8 cm H2O. Gasometria arterial: pH = 7,30, pO2 = 63 mmHg, pCO2 = 50 mmHg, Bic = 28 mmol/L, BE = 3,0. O diagnóstico de entrada na UTI é
SDRA moderada = PaO2/FiO2 entre 100-200, PEEP ≥ 5 cm H2O, infiltrados bilaterais, sem IC.
O diagnóstico de SDRA é baseado nos Critérios de Berlim, que incluem o tempo de início, infiltrados bilaterais na imagem, exclusão de insuficiência cardíaca e a relação PaO2/FiO2. A gravidade é determinada pela relação PaO2/FiO2 com PEEP mínima de 5 cm H2O, sendo 100-200 para moderada e <100 para grave.
A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) é uma forma grave de insuficiência respiratória caracterizada por inflamação pulmonar difusa, aumento da permeabilidade capilar pulmonar e edema pulmonar não cardiogênico, levando à hipoxemia refratária. É uma condição com alta morbimortalidade, frequentemente associada a sepse, pneumonia, trauma e, como no caso apresentado, pancreatite aguda grave. O diagnóstico da SDRA é feito com base nos Critérios de Berlim (2012), que estabelecem a presença de um fator de risco conhecido, início agudo (dentro de 7 dias), infiltrados pulmonares bilaterais na imagem torácica (não explicados por derrame, atelectasia ou nódulos), e a exclusão de insuficiência cardíaca como causa principal do edema. A gravidade é então classificada pela relação PaO2/FiO2, sempre com uma PEEP mínima de 5 cm H2O: leve (200-300 mmHg), moderada (100-200 mmHg) e grave (<100 mmHg). Para residentes, é fundamental dominar esses critérios para um diagnóstico preciso e manejo adequado da SDRA. A pancreatite aguda, ao causar uma resposta inflamatória sistêmica, pode desencadear a SDRA, tornando essencial a monitorização respiratória em pacientes com essa condição. O tratamento envolve ventilação mecânica protetora, otimização da PEEP, e manejo da causa subjacente, visando minimizar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador e melhorar a oxigenação.
Os Critérios de Berlim incluem: início agudo (até 7 dias), infiltrados pulmonares bilaterais na radiografia ou tomografia não explicados por derrame pleural, atelectasia ou nódulos, origem não cardíaca do edema pulmonar (excluindo insuficiência cardíaca) e hipoxemia avaliada pela relação PaO2/FiO2 com PEEP mínima de 5 cm H2O.
A relação PaO2/FiO2 classifica a SDRA em leve (200-300 mmHg), moderada (100-200 mmHg) e grave (<100 mmHg), sempre com PEEP mínima de 5 cm H2O. No caso da questão, PaO2/FiO2 de 105 mmHg com PEEP de 8 cm H2O indica SDRA moderada.
A pancreatite aguda grave é uma causa comum de SDRA. A inflamação sistêmica associada à pancreatite pode levar à liberação de mediadores inflamatórios que causam lesão pulmonar direta e aumento da permeabilidade capilar pulmonar, resultando em edema pulmonar não cardiogênico e hipoxemia.
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