SDRA: Ajustes da Ventilação Mecânica Protetora

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 41 anos, com peso predito de 70 Kg, vítima de acidente de moto, internado no hospital e transferido para UTI no mesmo dia, devido quadro de insuficiência respiratória, em ventilação mecânica, em PCV (Ventilação pressão controlada), PEEP de 5 e fração inspiratória de oxigênio de 65 %. Gasometria arterial: pH: 7,30; PaO2: 80 mmHg; PaCO2: 40 mmHg; SaO2: 90 %; HCO3: 24 mmol/L; BE: - 2 mmol/L; A-aDO2: 90 mmHg. Radiografia de Tórax com opacidades pulmonares bilaterais.Qual a melhor conduta para ajustar a ventilação mecânica.

Alternativas

  1. A) Volume corrente: 560 ml; PEEP: 10; Fração inspiratória de 75 %.
  2. B) Volume corrente: 560 ml; PEEP: 5; Fração inspiratória de 35 %.
  3. C) Volume corrente: 350 ml; PEEP: 5; Fração inspiratória de 50 %.
  4. D) Volume corrente: 280 ml; PEEP: 10; Fração inspiratória de 75 %.
  5. E) Volume corrente: 490 ml; PEEP: 6; Fração inspiratória de 50 %.

Pérola Clínica

SDRA (PaO2/FiO2 < 200) → Ventilação protetora: ↓ Volume Corrente (4-6 mL/kg), ↑ PEEP para oxigenação.

Resumo-Chave

Em pacientes com SDRA, a ventilação mecânica protetora é fundamental. Isso envolve o uso de baixo volume corrente (4-6 mL/kg de peso predito) para evitar volutrauma e a titulação de PEEP para otimizar a oxigenação e o recrutamento alveolar, minimizando a FiO2.

Contexto Educacional

A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) é uma condição grave caracterizada por inflamação pulmonar difusa, aumento da permeabilidade capilar e hipoxemia refratária. A ventilação mecânica é o pilar do tratamento, mas deve ser aplicada com uma estratégia protetora para evitar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI), que pode agravar a doença. A estratégia de ventilação protetora na SDRA baseia-se em dois princípios fundamentais: o uso de baixo volume corrente (4-8 mL/kg de peso predito, idealmente 4-6 mL/kg) para minimizar o volutrauma e a titulação da PEEP (Pressão Expiratória Final Positiva) para manter os alvéolos abertos, melhorar a oxigenação e prevenir o atelectrauma. A PEEP deve ser ajustada para otimizar a oxigenação e a complacência, com o objetivo de manter a pressão de platô abaixo de 30 cmH2O. O manejo da oxigenação envolve a FiO2 e a PEEP. É preferível aumentar a PEEP para melhorar a PaO2, permitindo a redução da FiO2 para evitar a toxicidade do oxigênio. A hipercapnia permissiva (pH > 7,20) é aceitável para manter o volume corrente baixo. O residente deve dominar esses conceitos para otimizar o suporte ventilatório e melhorar o prognóstico dos pacientes com SDRA.

Perguntas Frequentes

Qual o objetivo principal da ventilação mecânica na SDRA?

O objetivo principal é fornecer suporte respiratório adequado enquanto se minimiza a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (VILI), utilizando estratégias como baixo volume corrente e PEEP otimizado.

Como o volume corrente deve ser ajustado na SDRA?

O volume corrente deve ser ajustado para 4-8 mL/kg do peso predito, com preferência para 4-6 mL/kg, para reduzir o estresse e a tensão nos pulmões e prevenir o volutrauma.

Qual a importância da PEEP na SDRA e como ela deve ser ajustada?

A PEEP é crucial para manter os alvéolos abertos, melhorar a oxigenação e prevenir o atelectrauma. Deve ser titulada para otimizar a PaO2 e a complacência pulmonar, geralmente utilizando tabelas de PEEP/FiO2 ou titulação baseada na pressão de platô.

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