PARDS Pediátrico: Manejo Avançado da Insuficiência Respiratória

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024

Enunciado

Escolar, 8 anos, é atendida em emergência pediátrica com quadro de insuficiência respiratória por pneumonia grave, evoluindo para intubação orotraqueal. Ao chegar na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica, está com saturação de 88%, pressão inspiratória 30 mmHg, pressão expiratória positiva final 14 mmHg, fração inspirada de oxigénio de 100% e volume corrente de 10 mL/kg. Radiografia de tórax: comprometimento pulmonar bilateral com infiltrado alveolar difuso, broncograma aéreo e redução do volume pulmonar. Gasometria arterial: hipercapnia, com pH 7,25. Está hemodinamicamente estável, mas sem diurese na última hora. Em relação à principal hipótese diagnóstica para o caso, afirma-se:I. Em decorrência da ausência de diurese, a ressuscitação volêmica deve ser agressiva.II. Visto que a paciente se apresenta hipercapnêmica, há necessidade de aumento dos parâmetros ventilatórios.III. Caso a paciente não responda ao manejo ventilatório convencional, deve-se considerar posição prona, ventilação de alta frequência e uso de membrana de oxigenação extracorpórea. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

Alternativas

  1. A) I.
  2. B) III.
  3. C) I e II.
  4. D) II e III.

Pérola Clínica

PARDS refratário → Posição prona, VAFO, ECMO são terapias de resgate.

Resumo-Chave

No manejo da PARDS, a ventilação protetora pulmonar é primordial. A hipercapnia permissiva é tolerada para evitar lesão pulmonar. A ressuscitação volêmica deve ser cautelosa, e terapias avançadas como posição prona, VAFO e ECMO são reservadas para casos refratários à ventilação convencional.

Contexto Educacional

A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo Pediátrico (PARDS) é uma condição grave caracterizada por inflamação pulmonar difusa, aumento da permeabilidade capilar e edema pulmonar não cardiogênico, levando à hipoxemia refratária. Em crianças, a pneumonia grave é uma causa comum. O manejo da PARDS é desafiador e foca na ventilação mecânica protetora pulmonar para minimizar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador. A ventilação protetora envolve o uso de baixos volumes correntes e limitação da pressão de platô, o que frequentemente resulta em hipercapnia. A hipercapnia permissiva, onde se tolera um pH ligeiramente ácido (geralmente acima de 7.20-7.25), é uma estratégia aceitável para evitar pressões e volumes excessivos que poderiam agravar a lesão pulmonar. O manejo de fluidos deve ser conservador, evitando sobrecarga hídrica que pode piorar o edema pulmonar. Quando a ventilação convencional falha em manter a oxigenação e ventilação adequadas, terapias de resgate são indicadas. A posição prona melhora a ventilação-perfusão e a oxigenação. A ventilação de alta frequência oscilatória (VAFO) pode ser utilizada para manter o pulmão aberto com pressões mais baixas. Por fim, a oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) é a terapia de suporte vital mais avançada, fornecendo suporte cardíaco e/ou respiratório total em casos de falência refratária.

Perguntas Frequentes

Qual a estratégia de ventilação mecânica recomendada para PARDS?

A ventilação protetora pulmonar é a estratégia principal, utilizando baixos volumes correntes (4-8 mL/kg de peso ideal), pressões de platô limitadas (<30 cmH2O) e PEEP otimizada para manter o pulmão aberto e evitar lesão.

O que é hipercapnia permissiva e por que é utilizada em PARDS?

Hipercapnia permissiva é a tolerância a níveis elevados de PaCO2 (geralmente até pH > 7.20-7.25) para evitar o uso de volumes correntes ou frequências respiratórias excessivas que poderiam causar lesão pulmonar induzida pela ventilação.

Quando considerar terapias de resgate como posição prona ou ECMO em PARDS?

Terapias de resgate são consideradas quando a ventilação mecânica convencional não consegue manter a oxigenação ou ventilação adequadas, apesar da otimização dos parâmetros, indicando ARDS refratário.

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