TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021
Sobre os melhores parâmetros a serem adotados no manejo da ventilação mecânica na SARA, é incorreto afirmar:
SARA → Vol. Corrente 4-6ml/kg + Platô <30 + PaO2 55-80 mmHg (SpO2 88-95%).
A estratégia de ventilação protetora na SARA prioriza a proteção do parênquima pulmonar contra o volutrauma e barotrauma, aceitando níveis de oxigenação mais modestos.
A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SARA) é uma forma de edema pulmonar não cardiogênico causada por aumento da permeabilidade da barreira alvéolo-capilar devido a insultos inflamatórios. O manejo ventilatório é o pilar do tratamento, fundamentado no conceito de proteção tecidual. A utilização de volumes correntes baixos baseados no peso predito é crucial, pois o volume pulmonar disponível para ventilação ('baby lung') está drasticamente reduzido. Além dos parâmetros clássicos, a monitorização da driving pressure emergiu como um forte preditor de mortalidade, refletindo a complacência do sistema respiratório. Estratégias adjuvantes como o bloqueio neuromuscular e a manobra de prona são reservadas para casos de hipoxemia refratária, sempre dentro de um contexto de cuidados intensivos multidisciplinares que visam evitar a lesão induzida pelo ventilador (VILI).
Diferente de outras patologias, na SARA aceitamos metas de oxigenação mais baixas para evitar a toxicidade pelo oxigênio e o barotrauma. O objetivo é manter uma PaO2 entre 55 e 80 mmHg ou uma saturação periférica (SpO2) entre 88% e 95%. Valores acima disso, como 80-95 mmHg de PaO2, não são recomendados rotineiramente pois exigem parâmetros ventilatórios mais agressivos que podem lesar o pulmão.
A ventilação protetora baseia-se em três pilares: 1) Baixo volume corrente (4 a 6 mL/kg de peso predito) para evitar o volutrauma; 2) Limitação da pressão de platô abaixo de 30 cmH2O para evitar o barotrauma; e 3) Manutenção de uma driving pressure (Platô - PEEP) idealmente abaixo de 15 cmH2O, reduzindo o estresse cíclico sobre os alvéolos.
A posição prona é indicada em casos de SARA grave, definida por uma relação PaO2/FiO2 < 150 mmHg. Ela deve ser iniciada precocemente (nas primeiras 48 horas) e mantida por períodos longos (pelo menos 16 horas por sessão), visando melhorar a relação ventilação-perfusão e homogeneizar a distribuição do estresse alveolar.
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