Critérios de Berlin para SDRA: Diagnóstico e Classificação

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022

Enunciado

Segundo a definição de Berlin sobre Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (Acute Respiratory Distress Syndrome: The Berlin Definition), deve-se levar em conta os seguintes critérios, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Temporalidade: quadro agudo, dentro de uma semana após lesão clínica conhecida ou sintomas respiratórios novos.
  2. B) Origem do edema pulmonar: insuficiência respiratória devido a fator de risco conhecido e não completamente explicada por insuficiência cardíaca ou sobrecarga hídrica.
  3. C) Oxigenação: classificação da SDRA em leve, moderada ou grave, de acordo com a relação PaO2/FiO2.
  4. D) Ventilação: valor da PaCO2 na gasometria arterial, indicando grau de comprometimento pulmonar.

Pérola Clínica

SDRA (Berlin) = Início < 1 semana + Opacidade bilateral + Edema não cardíaco + PaO2/FiO2 ≤ 300 com PEEP ≥ 5.

Resumo-Chave

A Definição de Berlin padroniza o diagnóstico da SDRA através de quatro pilares: tempo, imagem, origem do edema e oxigenação. A PaCO2 não faz parte dos critérios diagnósticos ou de classificação de gravidade.

Contexto Educacional

A Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) é uma forma grave de insuficiência respiratória hipoxêmica resultante de lesão alveolar difusa. A Definição de Berlin, estabelecida em 2012, visou aumentar a acurácia diagnóstica e a validade preditiva da síndrome. Ela enfatiza que a lesão deve ocorrer dentro de uma semana após um insulto clínico conhecido. A fisiopatologia envolve uma fase exsudativa precoce com edema rico em proteínas, seguida por uma fase proliferativa e, em alguns casos, fibrótica. O manejo baseia-se na ventilação protetora (baixo volume corrente e pressão de platô limitada) para evitar a lesão induzida pelo ventilador (VILI). A compreensão exata dos critérios de Berlin permite ao médico intensivista e ao residente identificar precocemente a gravidade do quadro e implementar estratégias de suporte ventilatório que comprovadamente reduzem a mortalidade.

Perguntas Frequentes

Como a SDRA é classificada quanto à gravidade pela Definição de Berlin?

A gravidade da SDRA é classificada em três categorias baseadas na relação PaO2/FiO2, sempre com um valor mínimo de PEEP ou CPAP de 5 cmH2O. A SDRA Leve apresenta uma relação PaO2/FiO2 entre 200 e 300 mmHg. A SDRA Moderada situa-se entre 100 e 200 mmHg. Já a SDRA Grave é definida por uma relação PaO2/FiO2 menor ou igual a 100 mmHg. Essa estratificação é fundamental para guiar intervenções terapêuticas, como o uso de bloqueadores neuromusculares, posição prona ou oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) nos casos mais críticos.

Qual o critério radiológico necessário para o diagnóstico de SDRA?

O critério radiológico exige a presença de opacidades bilaterais na radiografia de tórax ou na tomografia computadorizada. Essas opacidades não podem ser totalmente explicadas por derrames pleurais, colapso lobar/pulmonar ou nódulos. A imagem deve ser consistente com edema pulmonar, refletindo o aumento da permeabilidade da membrana alvéolo-capilar característico da síndrome. Diferente de definições anteriores, a tomografia computadorizada pode ser utilizada para identificar essas opacidades caso o raio-X seja inconclusivo.

Como excluir a origem cardíaca do edema na SDRA?

Pela Definição de Berlin, a insuficiência respiratória não deve ser totalmente explicada por insuficiência cardíaca ou sobrecarga hídrica. Se não houver um fator de risco claro para SDRA (como sepse, pneumonia ou aspiração), é necessária uma avaliação objetiva, como um ecocardiograma, para excluir o edema hidrostático. A medida da pressão de oclusão da artéria pulmonar (cateter de Swan-Ganz), que era um critério obrigatório em definições antigas, tornou-se opcional, priorizando-se a avaliação clínica e ecocardiográfica.

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