USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Homem, 75 anos, professor universitário aposentado. Veio na consulta acompanhado do filho, queixando-se de esquecimento progressivo há um ano. Esquece de dar recados, pagar contas e senhas dos cartões de crédito e se perdeu na rua há uma semana quando foi pegar a neta na escola. Exame físico: BEG, consciente e orientado no tempo e no espaço. Neurológico: sem alterações. Mini-exame do estado mental: 29/30. Escala de depressão geriátrica: 2/15. Exames laboratoriais: TSH = 2,5 µIU/mL (VN: 0,4-4,5); vitamina B12 = 756 pg/mL (VN: 174,0-878,0), VDRL não reagente, anti-HIV não reagente. Hemograma, função renal, eletrólitos e transaminases normais. Tomografia de crânio: redução difusa do volume encefálico, proporcionada para a faixa etária. Qual é o diagnóstico mais provável?
Idoso com perda funcional em AIVD + exames normais + MEEM alto = Síndrome Demencial.
Embora o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) esteja quase normal (29/30), a perda funcional nas atividades instrumentais da vida diária (pagar contas, usar senhas, orientação espacial) é o critério chave para diferenciar demência de comprometimento cognitivo leve ou queixa subjetiva, especialmente em indivíduos com alta escolaridade.
A síndrome demencial é uma condição neurodegenerativa progressiva caracterizada por um declínio cognitivo que interfere significativamente nas atividades de vida diária. É uma das principais causas de incapacidade em idosos, com a Doença de Alzheimer sendo a etiologia mais comum. O diagnóstico precoce é crucial para o manejo e planejamento, sendo um tema de grande relevância na geriatria. A fisiopatologia varia conforme a etiologia, mas geralmente envolve perda neuronal e sináptica. O diagnóstico é clínico, baseado na história de declínio cognitivo e funcional, e exclusão de causas reversíveis (deficiência de B12, hipotireoidismo, depressão). Ferramentas como o MEEM são de triagem, mas a avaliação funcional (AIVDs) é determinante para o diagnóstico. O tratamento é multidisciplinar e foca no manejo dos sintomas cognitivos e comportamentais, além de suporte ao paciente e cuidadores. Não há cura para a maioria das demências, mas medicamentos como inibidores da colinesterase e memantina podem retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida, além de intervenções não farmacológicas.
O comprometimento cognitivo leve (CCL) envolve declínio cognitivo objetivo sem impacto significativo nas atividades de vida diária. A demência, por outro lado, causa declínio cognitivo que interfere na independência das atividades funcionais e sociais do indivíduo.
Os critérios incluem declínio cognitivo em um ou mais domínios (memória, linguagem, função executiva, etc.) que interfere na independência das atividades de vida diária, não é explicado por delirium ou transtorno psiquiátrico e é progressivo ao longo do tempo.
O MEEM é uma ferramenta de triagem e pode ter efeito teto em indivíduos com alta escolaridade, não detectando déficits sutis que já impactam as atividades instrumentais da vida diária, que são cruciais para o diagnóstico de demência. Uma avaliação funcional é indispensável.
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