Demência e Delirium: Diagnóstico em Idosos no PS

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 75 anos de idade, chega ao PS acompanhada por familiar devido a alteração de comportamento iniciado há dois dias. Já está em seguimento com o geriatra há 3 anos por dificuldade de realizar as atividades domésticas, confundindo o nome de pessoas, com discurso repetitivo e bastante esquecida. Exame físico: inquieta, desatenta durante a consulta e sem déficits motores. O diagnóstico mais provável do quadro de base e do quadro agudo são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) depressão crônica e quadro infeccioso sem foco aparente.
  2. B) comprometimento cognitivo leve e acidente vascular cerebral.
  3. C) doença de Alzheimer e primeiro episódio psicótico.
  4. D) síndrome demencial e delirium.

Pérola Clínica

Idoso com demência + alteração aguda de comportamento/atenção = Delirium sobreposto à demência.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro de base de declínio cognitivo progressivo (dificuldade em atividades domésticas, confusão de nomes, discurso repetitivo, esquecimento), compatível com uma síndrome demencial. A alteração de comportamento aguda, inquietação e desatenção, iniciada há dois dias, em um paciente com demência prévia, é altamente sugestiva de delirium (estado confusional agudo) sobreposto à demência.

Contexto Educacional

A síndrome demencial é um declínio cognitivo progressivo e persistente que interfere nas atividades de vida diária, sendo a Doença de Alzheimer a causa mais comum. Em contraste, o delirium (estado confusional agudo) é uma alteração aguda e flutuante da atenção e da cognição, frequentemente precipitada por uma condição médica subjacente. A coexistência de demência e delirium é comum em idosos e representa um desafio diagnóstico e terapêutico. A paciente do caso apresenta um quadro de base de declínio cognitivo crônico, característico de uma síndrome demencial. A alteração de comportamento aguda, inquietação e desatenção, iniciada há dois dias, são sinais clássicos de delirium. É crucial reconhecer que o delirium pode se sobrepor à demência, e sua presença indica uma condição médica aguda subjacente que precisa ser investigada e tratada. O diagnóstico diferencial é vital, pois o delirium é uma emergência médica que, se não tratada, pode levar a desfechos adversos. A investigação deve focar na identificação de fatores precipitantes, como infecções, distúrbios metabólicos, desidratação ou efeitos adversos de medicamentos. O tratamento envolve a correção da causa subjacente e o manejo dos sintomas comportamentais, enquanto a demência requer um plano de cuidados de longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para diagnosticar delirium em um paciente idoso?

Os critérios incluem início agudo e curso flutuante, alteração da atenção, desorganização do pensamento e/ou alteração do nível de consciência, não explicados por demência pré-existente.

Como a demência se diferencia do delirium no quadro clínico?

A demência é um declínio cognitivo crônico e progressivo, sem alteração significativa do nível de consciência, enquanto o delirium é um estado confusional agudo, flutuante, com alteração da atenção e do nível de consciência.

Quais são as causas mais comuns de delirium em pacientes idosos com demência?

Infecções (urinárias, respiratórias), desidratação, distúrbios metabólicos, polifarmácia, dor, constipação e internação hospitalar são causas frequentes de delirium em idosos com demência.

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