Síndrome Demencial: Diagnóstico e Sinais Chave

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 74 anos, professor aposentado, comparece à consulta médica acompanhado do filho, queixando-se de esquecimento progressivo há um ano. Relata que tem se esquecido de dar recados, pagar contas e senhas dos cartões de crédito. Há uma semana se perdeu na rua quando foi pegar a neta na escola. Exame físico: bom estado geral, consciente e orientado no tempo e no espaço; neurológico: sem alterações; mini-exame do estado mental: 24/30; aparelhos cardiovascular e respiratório: normal. Exames laboratoriais: TSH = 2,9 μUI/mL (VN: 0,4-4,5); vitamina B12 = 742 pg/mL (VN: 174,0-878,0); VDRL não reagente; anti-HIV não reagente; hemograma, função renal, eletrólitos e transaminases normais. Realizada tomografia de crânio sem contraste que evidenciou redução difusa do volume encefálico, proporcional para a faixa etária. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável.

Alternativas

  1. A) Síndrome demencial.
  2. B) Transtorno cognitivo leve.
  3. C) Transtorno depressivo.
  4. D) Queixa subjetiva de memória.
  5. E) Parkinsonismo.

Pérola Clínica

Perda de memória progressiva + impacto funcional + exclusão de causas reversíveis → Síndrome demencial.

Resumo-Chave

A síndrome demencial é caracterizada por um declínio cognitivo progressivo que afeta múltiplas funções (memória, linguagem, funções executivas) e interfere significativamente nas atividades de vida diária. O caso descreve perda de memória, desorientação e dificuldade com tarefas complexas, com exames complementares normais que afastam causas reversíveis, apontando para demência.

Contexto Educacional

A síndrome demencial é um declínio progressivo das funções cognitivas que afeta a memória, o raciocínio, a linguagem e a capacidade de realizar atividades diárias. É uma condição comum em idosos, com a Doença de Alzheimer sendo a causa mais prevalente. O diagnóstico é clínico, baseado na história de declínio cognitivo e no impacto funcional, e é complementado por exames para excluir causas reversíveis. O caso clínico apresenta um paciente idoso com queixa de esquecimento progressivo há um ano, afetando atividades instrumentais da vida diária (pagar contas, senhas) e levando a desorientação em ambiente familiar. O Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) de 24/30, embora não seja um corte diagnóstico definitivo, sugere comprometimento cognitivo. A exclusão de causas reversíveis, como deficiência de B12, hipotireoidismo, sífilis e HIV, por meio dos exames laboratoriais, é crucial. A tomografia de crânio evidenciando atrofia cerebral difusa, proporcional à idade, é um achado comum em demências degenerativas e não aponta para uma causa secundária específica. Diante do quadro de declínio cognitivo progressivo com impacto funcional e exclusão de outras etiologias, o diagnóstico mais provável é a síndrome demencial. O transtorno cognitivo leve (TCL) seria uma opção se não houvesse impacto funcional significativo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para síndrome demencial?

Os critérios incluem declínio cognitivo em uma ou mais áreas (memória, linguagem, função executiva, etc.), que interfere nas atividades de vida diária e não é explicado por outra condição, como delirium ou transtorno psiquiátrico.

Como o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) auxilia no diagnóstico de demência?

O MEEM é uma ferramenta de rastreio que avalia diversas funções cognitivas. Uma pontuação de 24/30, embora não seja um corte absoluto, pode indicar comprometimento cognitivo, especialmente em indivíduos com alta escolaridade, e deve ser interpretada no contexto clínico.

Quais são as causas reversíveis de declínio cognitivo que devem ser investigadas?

Causas reversíveis incluem deficiência de vitamina B12, hipotireoidismo, neurossífilis, infecção por HIV, hidrocefalia de pressão normal e depressão. A exclusão dessas condições é fundamental para o diagnóstico de demência primária.

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