Síndrome Demencial: Diagnóstico e Causas Reversíveis

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2022

Enunciado

Dona Joana, 70 anos, professora aposentada, portadora de hipertensão e em uso de losartana 50 mg, 1 comprimido 2 vezes ao dia e hidroclorotiazida 25 mg, 1 comprimido por dia, com pressão adequadamente controlada. Vem a unidade de saúde acompanhada de seu filho, que reside com ela, pois está apresentando quadros de esquecimento e já em quatro episódios, perdeu-se na rua indo ao supermercado, o que tem preocupado os familiares, que estão evitando deixá-la sair sem acompanhamento. A paciente nega qualquer alteração, mas o filho afirma que esses sintomas surgiram após o falecimento do pai, há aproximadamente dois anos e vem com piora progressiva, desde então.Ao exame físico: pressão arterial 130x80 mmHg, frequência cardíaca 68 bpm, não apresenta outras alterações. Foram realizados pelo Médico de Família e Comunidade alguns testes que evidenciaram:- Escala de depressão geriátrica = 03 pontos.- Miniexame do estado mental (MEEM) =23 (paciente com grau de escolaridade maior de 8 anos).Com base na situação da paciente acima proposta, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Quadro sugestivo de delirium necessitando de uma abordagem com exames laboratoriais para identificar a causa e tratá-la.
  2. B) Pelos dados apresentados, pode-se pensar seriamente que as alterações encontradas na idosa são decorrentes de depressão.
  3. C) A idosa em questão apresenta uma síndrome demencial e devem-se realizar exames complementares para excluir causas potencialmente reversíveis.
  4. D) Percebe-se que a idosa apresenta um declínio cognitivo próprio do processo de envelhecimento fisiológico.
  5. E) A situação demonstra um quadro de declínio/comprometimento cognitivo leve sem alterações de funcionalidade.

Pérola Clínica

Declínio cognitivo + perda funcionalidade + MEEM alterado → Síndrome demencial; investigar causas reversíveis.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um declínio cognitivo progressivo que afeta sua funcionalidade (perder-se na rua), com MEEM alterado para sua escolaridade e baixa pontuação na escala de depressão, sugerindo uma síndrome demencial. É fundamental investigar causas potencialmente reversíveis.

Contexto Educacional

A síndrome demencial é caracterizada por um declínio cognitivo progressivo e persistente que afeta múltiplos domínios cognitivos (memória, linguagem, funções executivas, atenção) e interfere significativamente nas atividades de vida diária. No caso de Dona Joana, a perda de memória associada à dificuldade de orientação na rua (perda de funcionalidade) e a alteração no Miniexame do Estado Mental (MEEM de 23 para escolaridade > 8 anos é sugestivo de comprometimento) apontam fortemente para uma síndrome demencial, e não apenas um declínio cognitivo fisiológico do envelhecimento. É crucial diferenciar a demência de outras condições que podem mimetizá-la, como o delirium (geralmente de início agudo e flutuante) e a depressão. A baixa pontuação na Escala de Depressão Geriátrica (03 pontos) afasta a depressão como causa primária dos sintomas cognitivos, embora possa coexistir. O luto, embora possa exacerbar sintomas, não explica um declínio cognitivo progressivo com perda de funcionalidade por dois anos. A investigação de uma síndrome demencial deve sempre incluir a busca por causas potencialmente reversíveis. Isso envolve uma bateria de exames laboratoriais (como hemograma completo, função tireoidiana, níveis de vitamina B12, eletrólitos, função renal e hepática, sorologias para sífilis e HIV) e exames de neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio) para descartar condições como hidrocefalia de pressão normal, tumores, hematomas subdurais, deficiências nutricionais ou distúrbios metabólicos. A identificação e tratamento dessas causas podem reverter ou estabilizar o quadro cognitivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para suspeitar de uma síndrome demencial?

Suspeita-se de demência quando há declínio cognitivo em múltiplos domínios (memória, linguagem, funções executivas) que interfere significativamente nas atividades de vida diária e não é explicado por delirium ou transtorno psiquiátrico.

Quais exames complementares são indicados na investigação de demência?

Exames laboratoriais (hemograma, função tireoidiana, B12, eletrólitos, função renal e hepática, sorologia para sífilis, HIV) e neuroimagem (TC ou RM de crânio) são essenciais para excluir causas reversíveis.

Como diferenciar demência de depressão em idosos?

Na depressão, o paciente geralmente se queixa da perda de memória, enquanto na demência, ele pode negar. A depressão tende a ter um início mais agudo e flutuações, enquanto a demência é progressiva e afeta a funcionalidade de forma mais consistente.

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