SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2023
Uma mulher de 78 anos de idade, com antecedentes pessoais de hipertensão arterial sistêmica e de diabetes melito não insulino-dependente, comparece à consulta médica de rotina em unidade básica de saúde (UBS) acompanhada do filho. Ele refere que sua mãe faz uso correto dos medicamentos, já que ele mesmo os administra para ela há, aproximadamente, 1 ano, pois percebeu que a mãe estava se confundindo para tomá-los assim que houve uma alteração na prescrição. Ele se queixa de que sua mãe está apresentando déficit auditivo, de que está repetitiva e apática. A paciente, por sua vez, não apresenta queixas.Com relação a esse caso hipotético, assinale a alternativa, entre as apresentadas a seguir, que representa, respectivamente, o diagnóstico provável e a orientação adequada.
Idoso com declínio cognitivo progressivo, alterações de comportamento e dependência para medicação → Síndrome Demencial.
O caso descreve um idoso com múltiplos fatores de risco (HAS, DM) e um declínio cognitivo progressivo, evidenciado por confusão medicamentosa, déficit auditivo (que pode agravar o quadro cognitivo), repetitividade e apatia, configurando uma síndrome demencial que exige supervisão.
A síndrome demencial é um declínio progressivo das funções cognitivas que interfere nas atividades diárias do indivíduo, não sendo uma parte normal do envelhecimento. Sua prevalência aumenta com a idade, e comorbidades como hipertensão arterial sistêmica e diabetes melito são fatores de risco importantes para demências vasculares e outras formas. É fundamental para residentes saberem identificar os sinais precoces e a importância de uma abordagem diagnóstica e terapêutica adequada. O diagnóstico da síndrome demencial é clínico, baseado na história fornecida por familiares e na avaliação cognitiva. Sinais como dificuldade em gerenciar medicamentos, repetitividade, apatia e déficits auditivos (que podem exacerbar a confusão) são indicativos. É essencial diferenciar a demência de outras condições como depressão ou delirium, que podem mimetizar seus sintomas. A avaliação deve incluir exames laboratoriais e de imagem para excluir causas reversíveis. O manejo da síndrome demencial envolve abordagens farmacológicas (como inibidores da colinesterase) e não farmacológicas. A orientação familiar é crucial, enfatizando a necessidade de supervisão constante para garantir a segurança, a adesão medicamentosa e a qualidade de vida do paciente. O prognóstico varia conforme a etiologia, mas a maioria das demências é progressiva. O foco é na manutenção da funcionalidade e no suporte ao paciente e cuidadores.
Sinais de alerta incluem perda de memória que afeta a vida diária, dificuldade em planejar ou resolver problemas, confusão com tempo e lugar, dificuldade em compreender imagens visuais e relações espaciais, problemas com a fala ou escrita, e mudanças de humor ou personalidade.
Na demência, a perda de memória é progressiva e o paciente pode minimizar os problemas, enquanto na depressão, a perda de memória pode ser mais abrupta e o paciente tende a se queixar ativamente. A apatia é comum em ambos, mas a depressão pode ter outros sintomas como anedonia e tristeza profunda.
A supervisão constante é crucial para garantir a segurança do paciente, a adesão ao tratamento medicamentoso, a nutrição adequada e a prevenção de acidentes, além de auxiliar na gestão das atividades diárias e no suporte emocional.
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