Síndrome Demencial: Diagnóstico e Sinais Clínicos

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2020

Enunciado

Paciente Maria de 80 anos é levada ao consultório médico pela filha Luisa, pois esta está preocupada com a memória da mãe. Há dois anos acha a mãe mais esquecida, com conversas repetidas. D. Maria sempre foi dona de casa, possui 4 anos de escolaridade, era cozinheira de mão cheia e cuidava do lar e dos quatro filhos. Há 6 meses Luisa assumiu a organização da casa e contratou uma cozinheira, pois a mãe erra receitas simples, queima a comida e perde objetos. Luisa relata que D. Maria já se perdeu duas vezes na rua e acha que a cozinheira rouba seus pertences. Nega tristeza ou anedonia. Relata duas quedas no último ano. Nega flutuação do nível de consciência. Sem alterações significativas no exame físico. Sobre o caso da paciente podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) Paciente possui diagnóstico de Doença de Alzheimer.
  2. B) Paciente possui diagnóstico de Comprometimento Cognitivo leve ou suave.
  3. C) Paciente possui diagnóstico de Doença de Parkinson.
  4. D) Paciente possui diagnóstico de Síndrome demencial.
  5. E) Paciente possui esquecimento benigno do idoso.

Pérola Clínica

Demência = declínio cognitivo + perda funcional nas atividades diárias.

Resumo-Chave

A demência é caracterizada por um declínio cognitivo significativo que interfere na independência das atividades de vida diária. No caso, a paciente apresenta perda de memória, dificuldade em tarefas complexas (cozinhar), desorientação espacial e alterações comportamentais (delírios de roubo), que impactam sua funcionalidade.

Contexto Educacional

A síndrome demencial, ou transtorno neurocognitivo maior, é uma condição neurodegenerativa progressiva que afeta milhões de idosos globalmente, representando um desafio significativo para a saúde pública. Caracteriza-se por um declínio cognitivo adquirido e persistente em uma ou mais funções cognitivas (memória, linguagem, funções executivas, atenção, praxia, gnosia), que é grave o suficiente para interferir na independência das atividades de vida diária. É crucial para residentes compreenderem a importância do diagnóstico precoce para o manejo adequado e planejamento futuro. O diagnóstico da síndrome demencial é clínico, baseado na história detalhada fornecida por familiares e cuidadores, além da avaliação do paciente. É fundamental identificar a perda de funcionalidade, como dificuldade em gerenciar finanças, preparar refeições, usar transporte público ou cuidar da higiene pessoal. A exclusão de causas reversíveis de declínio cognitivo, como deficiências vitamínicas, hipotireoidismo, infecções ou efeitos adversos de medicamentos, é um passo essencial na investigação. O tratamento da demência é multifacetado, visando aliviar os sintomas, retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente e seus cuidadores. Inclui abordagens farmacológicas (inibidores da colinesterase, memantina) e não farmacológicas (terapia ocupacional, estimulação cognitiva, suporte psicossocial). O prognóstico varia conforme a etiologia, mas a maioria das demências neurodegenerativas é progressiva, tornando o suporte e o planejamento de cuidados a longo prazo elementos centrais da gestão.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para a síndrome demencial?

Os principais sinais incluem perda de memória que afeta a vida diária, dificuldade em planejar ou resolver problemas, desorientação de tempo e lugar, e alterações de humor ou personalidade.

Como diferenciar demência de comprometimento cognitivo leve?

A principal diferença é a presença de perda funcional nas atividades de vida diária na demência. No comprometimento cognitivo leve, há declínio cognitivo, mas a independência é preservada.

Quais exames complementares são úteis na investigação da demência?

Além da avaliação clínica detalhada, exames de imagem cerebral (TC ou RM), exames laboratoriais (hemograma, função tireoidiana, B12, sífilis) e testes neuropsicológicos são importantes para o diagnóstico e exclusão de causas reversíveis.

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