Demência em Idosos: Investigação de Causas Reversíveis

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 78 anos de idade, em acompanhamento ambulatorial por hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2 e acidente vascular cerebral (AVC) há cinco anos. Relata que nos últimos meses começou a apresentar esquecimentos esporádicos, como deixar a panela em cima do fogão ligado e ter dificuldades com cálculos e com atividades que antes desempenhava bem. Tem a percepção de que os sintomas estão piorando gradativamente. O exame físico apresentou apenas hemiparesia discreta em dimídio direito, sem outras alterações. Com base no caso apresentado, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Solicitar exames laboratoriais e de neuroimagem para excluir causas reversíveis de síndrome demencial e não iniciar tratamento neste momento.
  2. B) Dada a alta probabilidade de o paciente ter evoluído com demência vascular, devese solicitar ultrassonografia com doppler de artérias carótidas e vertebrais.
  3. C) Apesar do acidente vascular cerebral prévio, o mais provável é que se trate de um caso de demência de Alzheimer, sendo indicado início de memantina.
  4. D) Independentemente da causa da demência, deve-se iniciar o uso de donepezila e titular progressivamente a sua dose, até que seja obtida melhora clínica.
  5. E) Dada a provável etiologia mista por doença de Alzheimer e demência vascular, deve-se iniciar imediatamente ácido acetilsalicílico, estatina e donepezila.

Pérola Clínica

Idoso com suspeita de demência → sempre investigar causas reversíveis antes de iniciar tratamento específico.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com suspeita de demência, é mandatório realizar uma investigação completa com exames laboratoriais e de neuroimagem para descartar causas reversíveis de declínio cognitivo, como deficiências vitamínicas, hipotireoidismo, infecções ou hidrocefalia de pressão normal, antes de firmar um diagnóstico e iniciar tratamento.

Contexto Educacional

A síndrome demencial em idosos é um desafio diagnóstico e terapêutico, com prevalência crescente devido ao envelhecimento populacional. É fundamental que, diante de um quadro de declínio cognitivo, seja realizada uma investigação minuciosa para identificar causas reversíveis, que podem ser tratadas e levar à melhora ou estabilização dos sintomas. Ignorar essa etapa pode resultar em diagnósticos errôneos e tratamentos inadequados. A avaliação inicial de um paciente com suspeita de demência deve incluir uma anamnese detalhada, exame físico e neurológico completo, e uma bateria de exames complementares. Os exames laboratoriais visam descartar condições metabólicas, nutricionais ou infecciosas. A neuroimagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio) é essencial para identificar lesões estruturais, como tumores, hidrocefalia de pressão normal, hematomas subdurais ou evidências de doença cerebrovascular, que podem ser tratadas. Somente após a exclusão de causas reversíveis e a avaliação da provável etiologia da demência (como Doença de Alzheimer, Demência Vascular, Demência com Corpos de Lewy, etc.), deve-se considerar o início de tratamentos específicos para os sintomas cognitivos ou comportamentais. O manejo de comorbidades, como hipertensão e diabetes, é crucial para retardar a progressão de demências vasculares e mistas.

Perguntas Frequentes

Quais exames laboratoriais são essenciais na investigação de demência?

Exames como hemograma completo, função tireoidiana (TSH), níveis de vitamina B12, eletrólitos, função renal e hepática, sorologia para sífilis e HIV são importantes para rastrear causas reversíveis de declínio cognitivo.

Por que a neuroimagem é crucial na avaliação da demência?

A neuroimagem (TC ou RM de crânio) ajuda a identificar causas estruturais reversíveis (ex: hidrocefalia de pressão normal, tumores, hematomas) e a diferenciar tipos de demência (ex: atrofia em Alzheimer, lesões vasculares em demência vascular).

Quais são as principais causas reversíveis de demência?

As causas reversíveis incluem deficiência de vitamina B12, hipotireoidismo, hidrocefalia de pressão normal, tumores cerebrais, hematoma subdural crônico, infecções (sífilis, HIV) e efeitos adversos de medicamentos.

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